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A importância do rastreio da saúde mental infantil

A deteção e a intervenção precoce constituem o pilar central para prevenir a doença mental numa fase adulta.
11 de Outubro de 2019 às 06:53


Redigido por Dr.ª Raquel Campos (OM62329), médica interna de formação específica em Psiquiatria da Infância e Adolescência ao serviço do Trofa Saúde Hospital em Loures e na Amadora
Muito se tem investigado, nos últimos anos, sobre a importância da saúde mental na infância e adolescência, bem como a deteção e a intervenção precoces constituem o pilar central quando se fala em prevenção da doença mental no adulto. Sendo as crianças e os adolescentes grandemente influenciados pelos diferentes ambientes que os rodeiam, e estando numa fase de maturação psicoafetiva, encontram-se particularmente vulneráveis ao desenvolvimento de um leque alargado da psicopatologia.

É com esta certeza de que a doença mental não está circunscrita à idade adulta que a psiquiatria da infância e adolescência assume especial relevância, uma vez que a promoção de um normal desenvolvimento psicoafetivo da criança/adolescente é a principal prioridade, visando um crescimento salutar que conduza a adultos saudáveis e funcionais. Também a família e a comunidade são fundamentais para o sucesso das intervenções realizadas, pelo que a sua inclusão em todo o processo terapêutico é privilegiada.

Nos primeiros anos de vida, o rastreio de situações de risco psicopatológico e a intervenção precoce em patologias com impacto no desenvolvimento, a identificação precoce das alterações do processamento sensorial e das perturbações da relação entre a criança e os principais cuidadores, são fundamental. Com a entrada na idade pré-escolar/escolar, as patologias com impacto no desempenho académico, as perturbações de oposição ou as problemáticas do foro ansioso e depressivo são o alvo de maior preocupação tanto pelos pais como pelas escolas.

Com a aproximação à idade adulta, as problemáticas da ansiedade, da depressão, do risco suicidário, das patologias aditivas e alimentares são as mais comummente encontradas. É também na adolescência que muitas vezes surgem os primeiros sintomas de quadros psicopatológicos graves. O primeiro passo é frequentemente dado pelos adultos que contactam com a criança, que ao reconhecerem sinais de alerta procuram ajuda especializada.

Estes sinais na criança/adolescente nem sempre são idênticos aos apresentados na idade adulta, fundamentando a relevância que assume a avaliação por um profissional diferenciado.