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Doença aguda respiratória viral vs. Bacteriana

Nem toda a tosse morre com antibiótico. Saiba a diferença.
6 de Dezembro de 2019 às 07:13
Gripe
Gripe


Redigido por Dr.ª Luisa Batista (OM56610), médica especialista em medicina geral e familiar no Trofa Saúde Hospital na Amadora
Na entrada na época alta das infeções respiratórias, há alguns mitos que importa esclarecer.

A diferença entre gripe e pneumonia
A gripe e a pneumonia são facilmente confundidas pelo doente, dado que ambas podem apresentar febre alta, tosse, desconforto no peito e mal-estar generalizado durante vários dias. No entanto, a gripe é sempre causada por um vírus, agentes que se “espalham” mais facilmente pelo corpo - pelo que nela são mais comuns sintomas a envolver vários órgãos, como congestão nasal, dor de garganta ou até alterações intestinais. Já a pneumonia é, por definição, uma infeção pulmonar, pelo que estes outros sintomas geralmente não se verificam.

Preciso de antibiótico?
Os antibióticos são eficazes apenas contra bactérias. Como dito acima, a gripe é, por definição, uma infeção viral, pelo que os antibióticos não só são inúteis como podem ser prejudiciais, na medida em que matam bactérias indiscriminadamente, sejam “boas” (a flora natural do corpo) ou “más” (responsáveis por uma infeção). Já a pneumonia é, na maioria dos casos, uma infeção bacteriana, pelo que os antibióticos fazem normalmente parte do tratamento. Importa ressalvar, no entanto, que também há pneumonias causadas por vírus, ainda que numa percentagem bastante menor - nestes casos, tal como na gripe, é mais comum haver sintomas que não envolvem apenas o pulmão, e não são necessários antibióticos.

Como é que o meu médico sabe se a minha infeção é viral ou bacteriana?
Muitas vezes, a diferença é óbvia apenas com base nos sintomas - no entanto, as pneumonias bacterianas tendem também a traduzir-se em alterações na auscultação, no raio-x de tórax e/ou nas análises ao sangue que não existem na gripe e noutros tipos de pneumonia. Com base nesta informação, o seu médico consegue aferir se há necessidade de antibiótico (tratando-se de pneumonia bacteriana) ou não (tratando-se de gripe ou pneumonia viral). Mas já tive gripes que só passaram com antibiótico. Não é impossível que, aproveitando-se da fragilidade global causada pela gripe, surjam bactérias “oportunistas” a infetar o pulmão, que acabam por gerar pneumonias bacterianas. No entanto, nestes casos o agravamento/prolongamento sintomático é óbvio, motivando geralmente nova observação médica, na qual poderá então ser necessário prescrever antibiótico. Ainda assim, importa ressalvar que estamos a dar antibiótico para a nova infeção bacteriana, não para a gripe original.

Devo ir à urgência se tiver sintomas de gripe?
Sendo uma infeção viral, o tratamento da gripe assenta no alívio dos sintomas (como a febre e a dor), no reforço da hidratação e no repouso. O doente é aconselhado a só procurar cuidados médicos urgentes em situações nas quais os sintomas não melhorem em 48h, ou existam “sinais de alarme”. É importante ter em conta que a gripe é mais comum do que a pneumonia, pelo que, ao dirigir-se a um serviço de urgência por uma provável gripe, coloca-se em risco contrair uma infeção mais grave.