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Doença periodontal, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares: qual a relação?

A doença periodontal é, a seguir à cárie dentária, aquela que maior prevalência tem na cavidade oral. A hemorragia gengival associada é um dos primeiros sintomas
30 de Outubro de 2020 às 07:20


Redigido por Dr.ª Patrícia Rodrigues (OMD4899), Médica Dentista no Trofa Saúde Amadora

A suspeita de associação entre algumas patologias sistémicas e patologias da cavidade oral é antiga. Com efeito, egípcios, hebraicos, gregos e romanos acentuavam já a importância da saúde da boca no bem-estar geral dos indivíduos. O conceito de infeção focal, com origem em 1900, estimulou a investigação no sentido de aprofundar o conhecimento sobre o papel real das afeções da cavidade oral, em especial a doença periodontal, na saúde geral dos indivíduos.

É uma doença infeciosa que afeta a gengiva e os restantes tecidos de suporte dentário e que pode provocar perda de dentes. Inicialmente, os sinais e os sintomas clínicos são “surdos”, sem qualquer tipo de dor e, por isso, passa despercebido. O diagnóstico precoce permite tratar e evitar o agravamento da situação com a consequente perda dentária.

Diabetes mellitus

A diabetes afeta cerca de 177 milhões de pessoas em todo o mundo e a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que este número possa duplicar até 2030 devido ao envelhecimento populacional, hábitos alimentares incorretos, obesidade e sedentarismo.

As complicações orais desta patologia são múltiplas e incluem xerostomia (boca seca), risco aumentado de cárie dentária e presença de problemas periodontais (75% dos diabéticos).

Na verdade, não é só a prevalência da doença periodontal que está aumentada em indivíduos diabéticos, também a progressão e a severidade são mais rápidas e agressivas.

Doenças cardiovasculares

O principal fator responsável pela maioria dos casos de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares é a aterosclerose. Trata-se de uma doença vascular progressiva caracterizada por um espessamento da camada interna de artérias musculares de médio calibre e grandes artérias elásticas, com formação de placas de ateroma. Vários agentes patogénicos periodontais foram detetados nestas placas e a doença periodontal tem sido associada a um aumento dos níveis de marcadores pró-inflamatórios, reconhecidos indicadores de risco para as doenças cardiovasculares, tais como a proteína C-Reativa, a IL-6, o fibrinogénio e a contagem de leucócitos. Considerando o tipo de patologia cardiovascular, são já vários os estudos que encontram uma associação forte entre doença periodontal e doença coronária, enfarte do miocárdio e eventos cerebrovasculares.

O melhor esclarecimento na associação da doença periodontal às doenças crónicas debilitantes da sociedade atual pode, no futuro, promover o desenvolvimento de terapias farmacológicas coadjuvantes no controlo destas doenças.

Assim, lembre-se, a identificação precoce destas doenças é essencial para um tratamento eficaz. Para tal, deve visitar regularmente o seu médico dentista, de forma a realizar uma consulta de diagnóstico.