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Febre nas crianças: devem os pais entrar em pânico?

Evitemos a fobia da febre, tratemos a “criança” e não o “número no termómetro”!
10 de Dezembro de 2019 às 07:11


Redigido por Dr. Eduardo Ribeiro (OM34135), Pediatra no Trofa Saúde Hospital na Amadora
A fobia da febre: o que contribui para esse medo comum e exagerado? A falta de informação e o falso pressuposto de que a temperatura não controlada aumenta progressivamente e pode causar dano criaram a fobia da febre. A fobia da febre e a tendência a tratar com medicamentos para a febre (antipiréticos) em excesso são comuns nos pais e cuidadores!

Muitos pais acham, erradamente, que a febre pode causar problemas neurológicos permanentes ou mesmo a morte e normalmente são os pais que têm só um filho os mais preocupados – a experiência ajuda a diminuir a ansiedade. Num estudo publicado, só 1% dos pais acham que se a febre não for tratada nada acontecerá, para além do desconforto da criança!

Os restantes pais acham, erradamente, que se a febre não for tratada a criança terá convulsões (60%), danos cerebrais (9%), convulsões e danos cerebrais (19%) ou poderá morrer (11%). Poucos pais consideram a desidratação, que é uma consequência potencial e frequente, um resultado da febre.

A febre da infeção não causa dano cerebral. Só temperaturas acima dos 41°- 42°C podem causar dano cerebral e é raríssimo que a temperatura corporal suba tão alto, já que existem mecanismos reguladores. Um dos exemplos em que isso pode acontecer – hipertermia - é o do bebé/criança deixada dentro de um carro estacionado ao sol.

As convulsões febris acontecem na subida da temperatura e não a partir de um determinado valor de temperatura. O tratamento preventivo e repetido não as evita. As convulsões febris não causam problemas neurológicos a longo prazo. As consequências da febre são devidas a uma doença de base e não ao aumento da temperatura.

Alguns pais acham que a febre causa meningites e não o contrário. As meningites são consequência das infeções e as meningites mais frequentes previnem-se com as VACINAS e não com os antipiréticos. O efeito adverso mais frequente da febre, não se deve a esta mas sim a uma utilização excessiva dos antipiréticos – toxicidade.

O objetivo do tratamento da febre é dar conforto à criança e não baixar a temperatura para um determinado valor, já que a temperatura não necessita de voltar aos valores considerados normais, com o tratamento. O tratamento com antipiréticos está a ser eficaz se baixar a temperatura de 1° a 1,5° C. A resposta aos antipiréticos, redução, não redução, normalização da temperatura, não é só por si preditor da gravidade da doença de base.

Contudo a melhoria do estado geral da criança com a utilização do antipirético pode ajudar a distinguir se o mau estado geral é causado pela febre ou pela doença de base. Os pais devem focar-se nos sinais tranquilizadores ou de alerta da febre em vez de estarem só concentrados na temperatura. E não se esqueça, já que é muito importante, as doses dos antipiréticos utilizados, os intervalos e os seus efeitos podem ser diferentes, pelo que regularmente fale com o pediatra, já que o peso da criança vai aumentando.