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Os desafios da parentalidade na pandemia Covid-19

É sabido que qualquer alteração à rotina tem um impacto significativo na estabilidade emocional das crianças e jovens, de forma imediata ou mais tardiamente, cabendo ao adulto de referência o papel de prestar atenção e auxílio.
16 de Outubro de 2020 às 07:44


Redigido por Dr.ª Raquel Campos (OM62329), médica interna de formação específica em Psiquiatria da Infância e Adolescência ao serviço do Trofa Saúde Amadora e Loures

O surto de coronavírus afetou a vida quotidiana, tendo as medidas implementadas o objetivo de reduzir a transmissão da doença e providenciar tratamento médico aos já infetados. A postura dos cuidadores assume um papel fundamental, na medida em que, muitas vezes, a reação das crianças é um reflexo da reação do adulto. Perante esta premissa, é importante que os pais procurem adotar um estilo de vida saudável e incentivem os seus filhos a fazer o mesmo. Também a partilha de estratégias para lidar com o stress e as mudanças assume particular importância, a par da explicação da necessidade das alterações à rotina pessoal e familiar, ainda que, sempre que possível, os horários de sono, refeições, estudo e lazer devam ser mantidos.

Existe um vasto leque de reações normativas possíveis, variando consoante o grupo etário, por exemplo:

• Crianças até aos 2 anos de idade podem chorar mais do que o habitual, fazer mais birras e alterar o padrão do sono, requisitando maior atenção por parte do adulto;

• Crianças entre os 3 e os 6 anos poderão apresentar comportamentos mais regredidos, alterações do sono e mostrarem-se mais angustiadas quando se encontram longe dos pais;

• Crianças dos 7 aos 10 anos poderão tornar-se mais irritáveis ou mais tristes, com maiores dificuldades de concentração e alterações do sono;

• Pré-adolescentes e adolescentes poderão mostrar-se mais ansiosos, irritáveis e com maior propensão para adotar comportamentos de risco.

A problemática surge quando as alterações no funcionamento da criança ou adolescente se tornam desajustadas e interferem no seu funcionamento, nomeadamente quando a ansiedade e a preocupação são excessivas, quando existe evicção de atividades que anteriormente eram apreciadas, o isolamento social e a tristeza mantêm-se, alterações persistentes do padrão de sono ou alimentar. Também a mudança significativa no rendimento académico ou recusa escolar, início ou agravamento de comportamentos autolesivos, conversas sobre intenção suicidária, surgimento de consumo de substâncias ou aumento da taxa de consumo, bem como adoção de comportamentos de risco, deverão merecer especial atenção.

Observar o comportamento das crianças e jovens é uma tarefa fundamental do adulto cuidador, para que possa ser providenciado o acompanhamento e ajuda adequados da forma o mais célere possível.