Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
5
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Sofre de pedras na vesícula?

Os cálculos biliares não são mais do que depósitos solidificados da bílis. Quais os sinais de alerta e quando deve marcar uma consulta?
29 de Outubro de 2019 às 09:42


Redigido por Dr. Francisco Toscano (OM46351), Médico especialista em cirurgia geral no Trofa Saúde Hospital em Loures e na Amadora.
A vesícula biliar é um órgão que se localiza no lado direito do abdómen, sensivelmente abaixo do bordo das costelas. Trata-se de um pequeno reservatório que armazena bílis (produzida no fígado, serve para ajudar na digestão de gorduras), que é secretada no intestino durante as refeições.

As pedras da vesícula ou cálculos biliares não são mais do que depósitos solidificados dos constituintes da bílis. Pensa-se que se formam em resultado de vários fatores, desde desequilíbrios nos constituintes da bílis, o incompleto esvaziamento da vesícula, a fatores genéticos e relacionados com a dieta.

Dos múltiplos estudos que se fizeram chegou-se a um conjunto de fatores de risco associados à presença de cálculos vesiculares. São eles a obesidade e a rápida perda de peso, jejuns prolongados, dieta rica em gorduras animais e pobre em vegetais e fruta, o sedentarismo (pouco exercício físico), uso desregulado de hormonas e contracetivos.

Sabemos que os cálculos vesiculares são mais frequentes em pessoas mais idosas (mais de 60 anos) e, que atinge cerca de 10 a 15% da população com predomínio de duas a três vezes mais nas mulheres que nos homens. Existe também associação desta doença à diabetes, anemias hemolíticas, cirrose hepática, entre outras.

As pedras da vesícula podem ser múltiplas e milimétricas ou únicas e com vários centímetros, existindo casos em que vários tamanhos coexistem. As queixas mais comuns são dores na região abaixo das costelas, à direita, que podem chegar à zona do umbigo e irradiar para as costas ou para o ombro. Frequentemente são acompanhadas por náuseas, vómitos, suores e calafrios. A sua causa deve-se ao entupimento do canal cístico ou vias biliares (que ligam a vesícula ao intestino) por uma pedra.

É usual existirem pessoas que sofrem deste problema e, mesmo sem saberem da existência das pedras, aprendem a evitar determinados grupos de alimentos por lhes causarem “crises” de cólicas biliares.

A sensibilidade de cada pessoa é diferente, podendo esta “restrição” ser mais ou menos abrangente e as próprias cólicas serem mais ou menos intensas. Invariavelmente a perda de qualidade de vida é comum a todos. Quando a complicação é a dor isolada, chama-se “cólica biliar” e é a mais frequente.

Outras complicações vão desde a infeção da vesícula – colecistie aguda - à infeção da via biliar – colangite aguda – ou à inflamação do pâncreas – pancreatite aguda. Todas carecem de tratamento hospitalar urgente e se não tratadas adequadamente põem a vida da pessoa em risco. Existem várias modalidades de tratamento destas complicações que vão desde as invasivas, com procedimentos como endoscopias específicas ou cirurgia, e não invasivas, tratadas apenas com medicamentos, mas sempre dependendo do caso.

A partir do momento em que a presença das pedras é sintomática, passa a ter indicação para fazer tratamento “definitivo, ou seja, para a vida, e consiste em fazer uma cirurgia chamada colecistectomia (tirar a vesícula), sendo habitualmente uma cirurgia de baixo risco. No entanto, existem algumas pessoas que pertencem a “grupos de risco” e podem ter indicação para tirar a vesícula mesmo sem sintomas, nomeadamente os diabéticos ou imunodeprimidos ou em casos com caraterísticas nos exames que elevem o risco de complicações. A cirurgia é realizada por técnicas minimamente invasivas – a laparoscopia – (por “furos” na parede abdominal) dispensando a necessidade de abrir o abdómen como se fazia há umas décadas.

Consequentemente a dor e os riscos de infecções são drasticamente reduzidos, oferecendo uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. De uma forma geral, a recuperação é fácil e pouco dolorosa. Não existe alteração da componente “digestiva” pelo facto de a pessoa não ter vesícula, sendo portanto um órgão que ao ser removido, não causa qualquer limitação ou mesmo alteração negativa à vida da pessoa.