"A vida do crime não compensa de maneira nenhuma", desabafa em tribunal arguido acusado de furtos e roubos no Porto
Grupo criminoso acusado de furtar automóveis para cometer crimes de roubo na Área Metropolitana do Porto
"Foi um período da minha vida que não quero voltar a repetir". As palavras são de José Silva, um dos cinco arguidos acusados de pertencerem a um grupo criminoso que durante um ano furtou automóveis para cometer roubos violentos na Área Metropolitana do Porto. Com a atividade criminosa, conseguiram obter mais de 100 mil euros.
Na primeira sessão de julgamento, que decorreu no tribunal de São João Novo, no Porto, José Silva confessou integralmente os factos de que vinha acusado. Admitiu ter furtado viaturas, ajudado a transportar material também ele fruto do crime e confessou ainda ter roubado 12 mil euros de uma mala tiracolo que uma funcionária de uma gasolineira transportava no carro. Ainda assim, o arguido referiu ter agido sempre a mando de Tiago Oliveira, dono da oficina de mecânica onde trabalhava e tido como o cabecilha do grupo."Fizemos uma emboscada à mulher e saímos os dois do carro. Eu levava um martelo, não uma arma de fogo, mas era só para partir o vidro do carro, se fosse preciso", contou.
Sobre o transporte de material furtado que estava num descampado, garantiu que "não sabia que era crime". Na sala de audiência, o homem aproveitou para dizer também que não era o mandante do esquema: "Eu sabia para o que ia mas não planeei nada, não fui eu". "A vida do crime não compensa de maneira nenhuma", desabafou o arguido no final das declarações.
Nesta sessão, foi também ouvido Tiago Oliveira. Em tribunal, o homem negou ser o cabecilha do grupo e apontou o dedo a outro dos arguidos neste processo. Ainda assim, admitiu a prática de vários furtos. "Os carros sim e alterei uma mota de água com material de outra mota que tinha sido roubada em Braga, mas não organizei nada", referiu na sala de audiência. Ao coletivo de juízes, Tiago disse também que soube do transporte de dinheiro por parte de uma funcionária de um posto de abastecimento através de outro arguido e decidiu antecipar-se, com a ajuda de José, para consumar o roubo. "Precisava do dinheiro para a minha oficina", disse em tribunal.
Tiago está atualmente em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Braga. Outro arguido cumpre a mesma medida de coação em Custoias. Há ainda outros dois arguidos que estão com pulseira eletrónica e obrigados a permanecer em casa.
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