Albergues Noturnos do Porto retira 9 pessoas da rua com projeto "match" pessoa-casa

Missão é combinar a casa certa para uma pessoa que vive na rua há 10 ou mais anos.

21 de fevereiro de 2026 às 10:14
Albergues Noturnos do Porto retira 9 pessoas da rua com projeto "match" pessoa-casa Foto: Direitos Reservados
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O centro temporário Albergues Noturnos retirou nove pessoas em situação de sem-abrigo das ruas do Porto em cerca de meio ano com um projeto e equipa "muito especial" que faz o 'match' (combinação perfeita) entre pessoas e casas.

"Fazemos o 'matching' da pessoa com a casa", explica a diretora-geral da instituição no centro do Porto Albergues Norturnos, Carmo Fernandes, referindo que há pelo menos "100 pessoas sinalizadas na cidade que vivem cronicamente na rua".

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Uma pequena equipa constituída por quatro pessoas "muito especiais", entre psicólogos, assistentes de Serviço Social e um "educador de pares", ou seja, uma pessoa que já tenha estado em situação de sem-abrigo e que tenha ultrapassado comportamentos aditivos, integra o projeto "Porto de Partida -- Rumo à Inclusão", cuja missão é combinar a casa certa para uma pessoa que vive na rua há 10 ou mais anos, explica Carmo Fernandes.

Porto de Partida -- Rumo à Inclusão é inspirado no conceito americano "housing first" e visa encontrar casas T0 ou T1 na cidade do Porto para pessoas em situação de sem-abrigo e, depois, fazer "o acompanhamento dessas pessoas que estão desligadas dos serviços do Estado e que "não se adaptaram a instituições de espaço partilhado", explica.

Trata-se de um programa "personalizado" que coloca a pessoa no centro e que vai ter uma equipa a acompanhar a pessoa sinalizada ao longo de anos, e que está de prevenção 24 horas.

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"Estamos a falar dos casos mais complexos. Normalmente, nós dizemos aos técnicos que nos sinalizam que aquelas pessoas para as quais não há resposta nenhuma são essas que nos devem encaminhar, porque são aquelas situações em que ninguém acredita que haja uma solução para elas, mas existe e já há muito tempo", realça aquela responsável.

Carmo Fernandes explica que, depois, os processos de mudança começam a acontecer.

O cuidado consigo próprio, com a higiene, com a casa, a adesão à medicação, menos idas a serviços de urgência, redução de danos nos casos com comportamentos aditivos são algumas das mudanças.

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Este projeto vai ser "alvo de uma avaliação de impacto pela Universidade Católica, porque queremos mostrar que aqui no Porto também faz sentido uma intervenção com estas características", observa a diretora dos Albergues.

"Se houver proprietários de T0 e T1 com preços justos, podem-nos contactar", apelou a diretora dos Albergues Noturnos, referindo que o objetivo em 2026 é conseguir fazer 'matching' com 20 pessoas a viver nas ruas do Porto.

Até ao momento aconteceu o milagre do 'matching' com nove pessoas que viviam na rua no Porto. A primeira foi em julho e ainda não saiu da casa, conta, Carmen Fernandes. Este ano já conseguiram retirar da rua três pessoas.

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Acolher pessoas em risco de exclusão social, com atenção especial às que se encontram em situação de sem-abrigo, através de processos personalizados, que permitam o desenvolvimento integral e o compromisso com um projeto de vida inclusivo e positivo na sociedade é a missão dos Albergues Noturnos no Porto, que surge em 1881, da iniciativa do então Rei de Portugal D. Luíz I.

Em 2024, foram registadas 553 pessoas nessa condição, quando, no ano anterior de 2023 eram 597 e 647 pessoas em 2022. No final de 2023 havia um total de 597 casos.

Na análise da naturalidade, a maior parte não é do Porto, dividindo-se em 39,9% vindos de outros municípios, 8,2% dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), 1,6% de países da União Europeia e 3,4% de outros locais.

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A nacionalidade portuguesa é maioritária (88,4%), mas os dados recolhidos mostram um ligeiro aumento (+1,8%) de pessoas em situação de sem-abrigo vindas dos PALOP, segundo dados apresentados no sítio oficial da Câmara do Porto.

Questionada sobre os dados de 2025 dos sem-abrigo, a Câmara do Porto disse à Lusa que o relatório "só estará concluído algures no final do primeiro semestre de 2026".

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