Cavaco ataca Marcelo e geringonça de Costa
Antigo chefe de Estado contra “verborreia frenética” de políticos que não dizem “nada de relevante”.
Cavaco Silva retomou a vida pública e, no regresso, surpreendeu com uma mão-cheia de recados. O antigo Presidente da República marcou presença na Universidade de Verão do PSD , em Castelo de Vide, onde proferiu um discurso duro em relação ao Governo e a Marcelo Rebelo de Sousa, com Passos Coelho a aplaudir na primeira fila.
Sem citar nomes, Cavaco Silva socorreu-se de Emmanuel Macron para elogiar o estilo anti-Marcelo do presidente francês. "Em França, não passa pela cabeça de ninguém que Macron telefone a um jornalista para passar uma notícia", começou por dizer o ex-Chefe de Estado. Logo depois, sublinhou que Macron entende que "a palavra presidencial deve ser escassa", estratégia que, acrescentou, "contrasta com a verborreia frenética da maioria dos políticos europeus dos nossos dias, ainda que não digam nada de relevante". Sobre Macron disse ainda: "Não faz comentários sobre a atividade política." Quantos em Portugal teriam coragem de responder assim", questionou.
Num discurso de quase uma hora, Cavaco não deixou que António Costa e a geringonça escapassem às críticas. "A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia e isso projeta-se com uma força tal contra a retórica daqueles que no Governo querem realizar a revolução socialista que eles acabam por perder o pio. Ou fingem que piam, mas são pios que não têm credibilidade porque não são mais do que jogadas partidárias", frisou. Um ataque aos "devaneios revolucionários" de quem acaba "sempre por conformar-se com as regras europeias de disciplina orçamental". Entre os pontos negativos apontados a um Estado " demasiado gordo", o antigo Presidente da República vincou o sistema fiscal que, disse, "perdeu lógica e coerência".
O CM tentou obter uma reação de Belém às críticas de Cavaco, sem sucesso.
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