Cavaco critica "verborreia frenética" dos políticos e fala em regresso da censura

Antigo Presidente da República garante que "perderam o pio" os que quiseram realizar revolução socialista nos governos.

30 de agosto de 2017 às 11:33
Cavaco Silva Foto: Lusa
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O ex-Presidente da República Cavaco Silva criticou esta quarta-feira a "verborreia frenética" da maioria dos políticos europeus, elogiando a exceção de Macron, e pediu aos jovens "força e coragem para combaterem o regresso da censura".

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Cavaco dedicou uma parte da sua intervenção de 50 minutos a elogiar a estratégia comunicacional do atual chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, dizendo ver semelhanças com a que adotou quando exerceu cargos de poder e que passa por recusar qualquer "promiscuidade com jornalistas".

"Em França, não passa pela cabeça de ninguém que Macron telefone a um jornalista para lhe passar uma notícia ou uma informação", afirmou.

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Cavaco destacou que Macron entende que "a palavra presidencial deve ser escassa", uma estratégia que "contrasta com a verborreia frenética da maioria dos políticos europeus dos nossos dias, ainda que não digam nada de relevante".

"Eu continuo a pensar que a independência em relação aos jornalistas é um principio básico. A atitude que melhor serve o interesse do país e também o interesse pessoal dos políticos é o respeito pelos profissionais de comunicação social mas mantendo distanciamento e não negociando o que publicam ou deixam de publicar", defendeu.

O tema da censura foi introduzido por Cavaco Silva na parte final da sua intervenção na Universidade de Verão do PSD e quando falava das eleições autárquicas que se realizam a 01 de outubro, onde pediu inspiração para os candidatos do PSD.

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"Apesar das coisas estranhas que têm acontecido no nosso país, apesar de vozes credíveis afirmarem que censura está de volta, estou convencido que portugueses ainda valorizam a verdade, a honestidade, a competência, o trabalho sério, a dedicação a servirem as populações", disse.

O ex-Presidente e antigo primeiro-ministro terminou a sua 'aula' com um apelo direto aos jovens participantes nesta iniciativa para não lhes falte "a força e a coragem para combaterem o regresso da censura", sem explicitar a que se referia e aconselhando-os a ler um artigo que Maria João Avillez escreveu na segunda-feira no Observador.

Nesse artigo, a jornalista defende, entre outras ideias, que "desde 1974 que a media ignora, despreza ou suporta mal a ideia de direita ou mesmo de Cavaco critica "verborreia frenética" da maioria dos políticos e fala em regresso da censura (C/ ÁUDIO)centro-direita, troçando ou destruindo os seus líderes e ajudando a acabar com eles, mesmo que o voto os legitime".

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Cavaco critica "lamentável impasse" no Conselho das Finanças Públicas

O ex-Presidente da República Cavaco Silva criticou hoje o "lamentável impasse" na designação de novos membros para o Conselho das Finanças Públicas, e revelou que foi ele que esteve na origem de uma alteração da lei que gerou o bloqueio.

Cavaco critica "lamentável impasse" no Conselho das Finanças Públicas

Numa intervenção na Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de jovens quadros, Cavaco Silva elogiou a qualidade das análises do Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a sua criação pelo anterior governo PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho, que se deslocou a Castelo de Vide (Portalegre) para assistir na primeira fila à 'aula' do antigo líder do partido.

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A este propósito, Cavaco Silva revelou que a proposta inicial do governo era que os membros do CFP fossem nomeados por despacho do governador do Banco de Portugal (BdP) e do presidente do Tribunal de Contas (TdC), tendo o então chefe de Estado sugerido que a nomeação fosse da responsabilidade do Conselho de Ministros, por proposta dos dois órgãos anteriores, o que foi aceite.

"Nunca imaginei que a proposta apresentada pelo Bdp e TdC pudesse não ser aceite pelo Governo de Portugal, parti da hipótese que numa democracia madura, como é o nosso caso, o governo, qualquer que ele fosse, não quereria ser acusado de pôr em causa a essência do CFP, que é precisamente a sua independência em relação ao poder político", afirmou.

O impasse para a nomeação de novos membros do CFP acabou por durar seis meses e só foi resolvido em julho, depois de o Governo não ter aceite os primeiros nomes que lhe foram indicados, situação que foi alvo de muitas críticas por parte do líder do PSD.

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"Se o poder político conseguir controlar estas entidades o retrocesso na transparência da nossa democracia será muito significativo", alertou Cavaco Silva.

Cavaco diz que "realidade" acaba "sempre por derrotar a ideologia"

O ex-Presidente da República Cavaco Silva defendeu esta quarta-feira que, na zona euro, "a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia" e os que, nos governos, querem realizar a revolução socialista "acabam por perder o pio ou fingem que piam".

Numa 'aula' na Universidade de Verão do PSD, Cavaco Silva afirmou que hoje "é corrente apresentarem-se três casos" de países onde a realidade tirou o tapete à ideologia, enumerando França e Grécia mas sem se referir explicitamente ao caso de Portugal.

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"Os governos dos países da zona euro, ao chegarem ao poder, podem começar com alguns devaneios revolucionários mas acabam por perceber que a realidade tem uma tal força que, ou através do aumento de impostos indiretos que anestesiam os cidadãos, cortes nas despesas públicas de investimento, medidas pontuais extraordinárias e cativações das despesas correntes e consequente deterioração serviços públicos ou contabilidade criativa, acabam sempre por conformar-se com as regras europeias de disciplina orçamental", afirmou.

Para o ex-chefe de Estado, esta projeção da realidade "tem uma tal força contra a retórica dos que, no governo, querem realizar a revolução socialista, que eles acabam por perder o pio ou fingem apenas que piam, mas são pios que não têm qualquer realidade e refletem meras jogadas partidárias".

"Aqueles que ainda piam, fingem que piam mas não atribuam a esses pios qualquer credibilidade porque não são mais do que jogadas partidárias", defendeu.

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Cavaco foi recebido pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que se deslocou a Castelo de Vide de propósito para assistir à aula do ex-Presidente a República e antigo primeiro-ministro.

À chegada à Universidade de Verão do PSD, Cavaco Silva disse que veio diretamente de Albufeira, tendo-se levantado às 06h00 para marcar presença nesta iniciativa de formação de jovens quadros.

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