Centenas protestam contra Kofi Annan

Budistas nacionalistas da Birmânia contra interferência de antigo secretário-geral da ONU.

06 de setembro de 2016 às 08:42
Birmânia, Kofi Annan, Nações Unidas, política, distúrbios, guerras e conflitos Foto: Reuters
Birmânia, Kofi Annan, Nações Unidas, política, distúrbios, guerras e conflitos Foto: Reuters
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Birmânia, Kofi Annan, Nações Unidas, política, distúrbios, guerras e conflitos Foto: EPA
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Centenas de budistas nacionalistas protestaram esta terça-feira na Birmânia contra Kofi Annan, que inicia uma visita ao oeste do país, onde se vai focar no conflito religioso que obrigou à fuga de dezenas de milhares de membros da minoria rohingya.

À saída do aeroporto de Sittwe, capital do estado de Rakhine, os manifestantes empunhavam cartazes com as frases "Não a uma comissão dirigida por Kofi" e "Não à intervenção tendenciosa de estrangeiros nos assuntos do estado Rakhine", dirigidos ao antigo secretário-geral da ONU.

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"Não gostamos de interferências nos nossos assuntos internos", explicou à agência AFP o manifestante Ko Thein. Em agosto, o Governo birmanês anunciou a criação de uma comissão para abordar a violência sectária no estado Rakhine, presidida por Kofi Annan.

Rakhine acolhe a esmagadora maioria da comunidade rohingya -- minoria que vive na Birmânia (Myanmar) há séculos mas cujos membros não são reconhecidos como cidadãos birmaneses nem como imigrantes bengalis.

Aproximadamente 120 mil rohingya - minoria apátrida que as Nações Unidas consideram uma das mais perseguidas do planeta - vivem confinados em 67 acampamentos e sofrem todo o tipo de restrições desde o surto de violência sectária em 2012 entre esta minoria muçulmana e a maioria budista da região, que causou pelo menos 160 vítimas mortais.

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Kofi Annan, que se comprometeu a ser imparcial na sua abordagem ao conflito, vai encontrar-se com os líderes de Rakhine e visitar campos onde dezenas de milhares de rohingya vivem confinados, em extrema pobreza.

No entanto, o maior grupo político da região, o Arakan National Party, já rejeitou a possibilidade de se encontrar com o antigo secretário-geral da ONU.

A minoria vive em terríveis condições, incluindo fortes restrições de movimentos, levando a que dezenas de milhares fugissem, muitos através de uma perigosa travessia marítima para a Malásia.

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"Queremos que ele venha", disse à AFP Hla Kyaw, um homem rohingya que vive no campo The Chaung IDP. "Se ele vier, vamos abordar os nossos problemas de cidadania e falar das nossas dificuldades nos campos para IDP [internally displaced persons]", onde ficam quatro anos, acrescentou.

Na semana passada, o atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, instou a Birmânia a atribuir cidadania ao grupo e a respeitar o seu direito em identificar-se como rohingya.

Os rohingya são um assunto sensível na política birmanesa, condicionada por grupos budistas radicais que levaram o anterior governo a adotar múltiplas medidas discriminatórias contra aquela minoria.

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O ministério liderado por Aung San Suu Kyi, que é a líder de facto do governo birmanês, e a fundação de Annan vão assinar um memorando para estabelecer esta comissão de caráter consultivo que vai contar com nove membros.

Segundo o jornal The Global New Light of Myanamar, o organismo ficará responsável por elaborar, em 12 meses, um relatório com recomendações ao governo com vista a prevenir conflitos e promover a reconciliação naquele estado.

O documento deve abordar questões humanitárias, de desenvolvimento, garantias de direitos básicos e segurança, bem como aspetos jurídicos relativos a requerentes de asilo.

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