Condenação e lágrimas face à guerra no Médio Oriente
A guerra no Médio Oriente concentra as atenções no Parlamento Europeu. A intervenção dos EUA não é consensual. Motivo: uma coisa é não chorar pelo regime iraniano, outra é a morte de inocentes.
“Não deve haver lágrimas” pelo regime iraniano. A frase da presidente da Comissão Europeia no Parlamento Europeu é talvez a única em que a Europa concorda. Em tudo o resto sobre a intervenção dos EUA no Irão, a União Europeia está profundamente dividida. “Uma coisa é não chorar pelo regime e outra, muito diferente, é ficar em silêncio perante a morte de inocentes”, respondeu a líder do S&D, no plenário. A eurodeputada espanhola foi o espelho da posição de Sánchez perante a incursão norte-americana e israelita. Von der Leyen aposta no caminho para uma maior independência da UE em relação à importação de petróleo e diz que menos de duas semanas de guerra custaram “três mil milhões de euros” aos contribuintes europeus, na compra de combustíveis fósseis. Em resposta, a Comissão quer incentivar a aposta na energia nuclear.
Pensam diferente os eurodeputados portugueses dos partidos de esquerda. “Condenamos a lei da força. Seja nos ataques dirigidos pelos EUA e Israel ao Irão ou nos ataques de retaliação”, afirma Marta Temido, deputada no Parlamento Europeu do PS. A também ex-ministra da Saúde sublinha que “quem paga o preço das violações do direito internacional são sempre as populações civis”. Pelo contrário, Paulo Cunha, eurodeputado do PSD, reflete a posição mais contida e próxima dos EUA. “É essencial evitar uma escalada da violência e criar condições para o regresso das conversações”, considerou no plenário em Estrasburgo, França. A divisão é tão fraturante que já é pública ao mais alto nível da UE. Depois de a presidente da Comissão Europeia ter colocado a União mais próxima dos EUA, An- tónio Costa, presidente do Conselho Europeu, veio enfatizar a importância do direito internacional. “Proteger os civis, garantir a segurança nuclear e respeitar o direito internacional é crucial”, disse o também ex-primeiro-ministro português, sem nunca se referir a Trump ou a Von der Leyen, mas cujas declarações estão a ser lidas como uma resposta à presidente. An- tónio Costa reúne os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União esta semana, em Bru- xelas, num encontro que promete ser crucial para clarificar posições de cada país e principalmente a posição da UE sobre a guerra no Irão.
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