Convenção do Bloco de Esquerda arranca este sábado com despedida de Mortágua 

Líder cessante do partido fará intervenção de abertura. José Manuel Pureza deverá ser o sucessor.

29 de novembro de 2025 às 08:30
Mariana Mortágua sai da liderança ao fim de dois anos Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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A 14.ª Convenção Nacional do BE arranca este sábado, em Lisboa, com a intervenção de abertura por Mariana Mortágua, que se despede da coordenação, ao fim de dois anos de um mandato marcado pelo declínio eleitoral do partido.

Mortágua deverá manter-se no órgão máximo entre convenções, a Mesa Nacional, já que o seu nome figura em lugar elegível nas listas. No final de dezembro, abandona a Assembleia da República e, segundo disse à Lusa, prosseguirá a sua atividade profissional como professora auxiliar no ISCTE no departamento de Economia Política e investigadora integrada na área.

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Segundo o programa divulgado, os trabalhos arrancam pelas 11h00, no pavilhão do Casal Vistoso, após a chegada dos delegados a partir das 09h00, e a intervenção de Mariana Mortágua está prevista para as 11h30.

A 14.ª Convenção do BE, que vai aprovar, domingo, a estratégia política para os próximos dois anos, decorre num dos momentos mais críticos da história dos bloquistas, que têm visto reduzida a sua representação eleitoral, tendo registado o pior resultado de sempre em legislativas este ano, que os levou à representação única no parlamento pela primeira vez desde a sua fundação.

Mariana Mortágua anunciou, no passado dia 25 de outubro, que já não estava disponível para se recandidatar ao cargo que ocupa desde 2023, por considerar que a direção por si encabeçada foi incapaz de "gerar um novo impulso político e eleitoral".

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No início de janeiro, o ex-líder parlamentar e número dois do partido na lista por Lisboa nas últimas legislativas, Fabian Figueiredo, assumirá o seu lugar.

Pelas 14h30 está prevista a apresentação das moções de orientação política, que são ao todo cinco: a moção A, "Resistir para virar o jogo", afeta à atual direção e encabeçada por José Manuel Pureza, e a moção S, "Novo Rumo", texto opositor com alguns ex-apoiantes de Mortágua como o dirigente Adelino Fortunato e os antigos deputados Heitor de Sousa e Alexandra Vieira.

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Apresentam-se também à convenção a moção H, "Hora de Recomeçar", C, "Mais Bloco, menos tendências", e B, "Reconstruir para um novo ciclo político", todas com queixas de falta de democracia interna e centralização excessiva de tomada de decisão em órgãos como o Secretariado.

Estas críticas não surgem apenas das moções opositoras: alguns membros afetos à moção A apresentaram um texto à reunião magna que alerta a direção que "a fórmula atual está esgotada".

Numa tentativa de responder a estes avisos, a moção A vai apresentar na convenção um novo modelo tripartido: além do coordenador (figura que não existe formalmente nos estatutos), a organização política do BE passará também pelo lugar de deputado na Assembleia da República e pela criação de uma nova figura, a de "secretária da organização".

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José Manuel Pureza deverá ser consagrado como coordenador, uma vez que a moção A elegeu a grande maioria dos delegados à convenção (498), seguida da moção S (55), H (19), C (13) e B (13).

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