China apela a uma resolução pacífica da crise dos mísseis da Coreia da Norte
Representante russo na ONU também descarta uma solução militar para o conflito.
A China defendeu esta segunda-feira que a crise com a Coreia do Norte "deve ser resolvida de forma pacífica", declarou o embaixador de Pequim junto da ONU, Liu Jieyi, sem mencionar a possibilidade de novas medidas coercivas contra Pyongyang.
"Chamamos a Coreia do Norte ao diálogo. Através do diálogo, podemos conseguir uma desnuclearização da península coreana", disse o representante chinês durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, a decorrer esta segunda-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, cerca de 24 horas depois de o regime liderado por Kim Jong Un ter anunciado a realização com sucesso do sexto teste nuclear daquele país, desta vez com uma bomba de hidrogénio.
Liu Jieyi reiterou igualmente a proposta conjunta assinada pela China e Rússia que incide no congelamento das manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul e na suspensão dos programas de armamento norte-coreanos.
Proposta que foi rejeitada de forma categórica pela embaixadora dos Estados Unidos junto da ONU, Nikki Haley, minutos antes do início desta reunião de emergência do Conselho de Segurança.
A China, o maior aliado do regime da Coreia do Norte, exporta cerca de 90% do que é consumido pelos norte-coreanos.
A palavra diálogo também foi utilizada pelo embaixador da Rússia junto da ONU, Vassily Nebenzia, como o caminho de uma solução para a crise com a Coreia do Norte.
Moscovo "apela a todas as partes a dialogar e a retomar as negociações", afirmou o representante russo.
"Não há solução militar", insistiu Vassily Nebenzia, reconhecendo, ao mesmo tempo, que o regime de Pyongyang tratou "com desprezo" todas as imposições internacionais.
"Insistimos na necessidade de preservar o nosso sangue frio (...) não devemos ser dominados pelas emoções e devemos agir de forma calma e ponderada", reforçou o representante da Rússia (um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e com poder de veto - Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China).
Estas declarações do embaixador russo estão a ser encaradas como uma referência implícita ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que no início de agosto, em plena escalada de tensão com a Coreia do Norte, ameaçou o regime norte-coreano com "fogo e fúria nunca vistos".
Segundo peritos, Pyongyang testou no domingo a sua bomba nuclear mais potente até à data, um artefacto termonuclear que, de acordo com o regime norte-coreano, pode ser instalado num míssil intercontinental.
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