Delegação recorde nos Europeus de atletismo
Esperam-se de uma a três medalhas.
Portugal compete nos Europeus de atletismo, em Zurique, na Suíça, de terça-feira a domingo, com a maior delegação de sempre, com 44 atletas, e com ambições relativamente reduzidas em termos de medalhas.
A 'fartura' de atletas lusos em Zurique até poderia ser um pouco maior, se a FPA não decidisse este ano impor a 'confirmação' dos mínimos a um mês dos Europeus, o que afastou atletas com marca, como Marcos Chuva (comprimento) e Hélio Gomes (1.500 metros).
Por outro lado, também não convocou para os 20 km marcha a 'histórica' Susana Feitor, que tinha mínimos feitos e poderia ter sido incluída na listagem final para Zurique - uma situação que levou mesmo a que a atleta e também dirigente apresentasse a demissão de vogal da direção da FPA.
Os responsáveis pelo atletismo português traçam um objetivo de "uma a três medalhas", sem assumir em concreto que atletas podem subir ao pódio em Zurique.
Entre 1982 e 2012, ou seja a totalidade dos Campeonatos da Europa já disputados, Portugal sempre conseguiu pelo menos uma medalha, o que leva a considerar-se 'impensável' esse quadro 'negro' de regressar de Zurique de mãos totalmente a abanar.
Aliás, com 28 medalhas em nove edições, a média dá um pouco mais de três por edição. Três foi, de resto, o número dos pódios conquistadas há dois anos, em Helsínquia - com Patrícia Mamona (triplo), Dulce Félix (10.000) e Sara Moreira (5.000), que estão de novo na equipa.
Patrícia Mamona foi a única a dar a cara, aquando da divulgação pública da equipa, mas numa lista alargada de candidatos faz sentido incluir também as suas colegas do meio-fundo e ainda as maratonistas Jessica Augusto e Marisa Barros, que irão para a estrada com os melhores tempos entre as inscritas.
A marcha conta sempre com uma surpresa, que pode ser de Ana Cabecinha ou João Vieira (vice-campeão em título), enquanto que o setor masculino de pista parece menos forte, apesar das boas classificações nos 'rankings' de Marco Fortes (peso) e Nélson Évora (triplo).
O recorde de seis medalhas de Budapeste 98 deverá manter-se e com uma medalha apenas Portugal igualaria os piores pecúlios, de Atenas 82 e Estugarda 92, as edições que consagraram Rosa Mota.
Patrícia Mamona tem a terceira marca entre as inscritas para o triplo salto (qualificação na quarta-feira, final no sábado), sendo que é uma atleta que se costuma superar, nos melhores momentos. Susana Costa, que entra como 14.ª, também aspira à final.
Inacessível parece estar a russa Yakaterina Koneva, 'campeã antecipada' com 14,89 na época, seguida de longe pela sua compatriota Alsu Murtazina (14,50). Mamona vem logo a seguir, com 14,36, a que seguem seis adversárias até 14,29, o que deixa antever um concurso disputado.
Com o seu recorde pessoal de 2:24.25, feitos esta época em Londres, Jessica Augusto entra na maratona com a melhor marca de 2014. Desde abril que se prepara para esta corrida de Zurique, procurando, aos 33 anos, mais uma página de sucesso no recheado palmarés.
Marisa Barros, com um recorde pessoal de 2:25.04, não compete há muito tempo e é por isso uma incógnita. Se estiver bem, é candidata e pode ajudar a que Portugal - também com Filomena Costa e Doroteia Peixoto - tenha uma boa prestação coletiva.
Na pista, Dulce Félix defende o título de 10.000 metros, sabendo que este ano a lista de inscritas é mais valiosa.
Tem a quarta marca das inscritas e Sara Moreira a sexta, com o 'pódio virtual' a ficar com a inglesa Julia Bleasdale, a belga Almensah Belete e a polaca Karolina Jarzinska.
Sara Moreira e Dulce Félix propõem-se para trabalhos dobrados, entrando também como nona do ano e décima nos 5.000 metros, corrida em que terão menos velocidade terminal do que várias das especialistas presentes.
Ainda no setor feminino, Vera Barbosa entra como a oitava melhor dos 400 metros barreiras, o que a coloca como previsível entrada em final que se antevê aberta, face à ausência das duas melhores especialistas da atualidade.
Vice-campeão há quatro anos, João Vieira continua a ser uma das figuras dos 20 km marcha. No setor feminino Ana Cabecinha também é das melhores, podendo ambos apontar para uma posição de top-10, mas dificilmente no pódio.
No setor masculino, são de esperar finais para Marco Fortes, quinto entre os inscritos, e o regressado Nélson Évora, que também é quinto.
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