Domingos Soares Franco apresenta novo vinho
Alambre Ice para acompanhar sobremesas.
Domingos Soares Franco é um daqueles enólogos que facilita a vida aos críticos. Não apenas pelos vinhos que cria (há coisas extraordinárias e outras padronizadas), mas pelo facto de a sua irrequietude estar sempre a desafiar quem prova.
Convoca os jornalistas duas vezes por ano (no mínimo) para dar a conhecer as suas criações mais recentes e os projetos que tem na manga. E, pelo que temos visto nos últimos anos, há malta que fica mais interessada em saber que ‘coisas’ tem o enólogo da José da Maria da Fonseca em ‘fermentação’ na adega do que provar as novas colheitas de marcas que já fazem parte do catálogo da empresa.
É claro que há sempre interesse em provar os novos Pasmados, Camarate, Hexagon ou Colecção Privada. Que não haja dúvidas. Mas atendendo à irreverência do enólogo, a questão é do género: o que andará o Domingos a inventar este ano?
E a última é este Alambre Ice, que, não sendo fácil de explicar, dir-se-á ser um vinho licoroso de Moscatel Roxo que sofreu um curioso processo de redução de percentagem de álcool e, mais tarde, uma segunda fermentação à laia de um espumante, neste caso em cuba e não em garrafa.
Resultado, temos um vinho doce, bastante doce, com álcool moderado, mas com aquelas bolhinhas típicas de um espumante, sendo que, por via da densidade do vinho, as mesmas detetam-se subtilmente na boca. Ou seja, quando cheiramos o vinho detetamos as notas típicas do Moscatel (laranja confitada, flores de laranjeira e algumas especiarias), mas quando levamos o vinho à boca franzimos o sobrolho porque estamos a sentir umas bolhas delicadas e crepitantes, à mistura com as notas doces e com a untuosidade do vinho. Bela ideia.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt