É tempo de caracóis

Está de volta o ritual próprio dos meses quentes.

11 de junho de 2018 às 18:00
Restaurante Filho do Menino Júlio dos Caracóis, em Lisboa Foto: Vítor Mota
Caracóis e marisco no Eduardo das Conquilhas, na Parede Foto: Duarte Roriz
Restaurante Filho do Menino Júlio dos Caracóis, em Lisboa Foto: Vítor Mota
Casa dos Caracóis, em Lisboa Foto: Sérgio Lemos
Casa dos Caracóis, em Lisboa Foto: Sérgio Lemos
Caracóis e marisco no Eduardo das Conquilhas, na Parede Foto: Duarte Roriz

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Petisco de fim de tarde acompanhado com uma imperial bem tirada, até aos últimos dias de agosto - vá lá, até ao início de setembro -, os caracóis fazem parte do menu dos estabelecimentos. Servidos em travessas, pratos ou pires, as tascas ou restaurantes anunciam o pitéu com um simples papel colado nos vidros - ‘Há caracóis’.

Esta é a altura em que as opiniões se dividem entre saborear estes pequenos bichinhos, que se comem com a ajuda de um palito, e aqueles que torcem a cabeça de desagrado só em pensar neste ritual que remete para os meses que não têm ‘r’ no nome.

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Constituídos por água, ricos em proteínas e pobres em gorduras, a maior parte deste nutritivo alimento que se encontra à venda é proveniente de Marrocos. Nestas páginas apresentamos um conjunto de curiosidades sobre o molusco, uma receita típica e indicamos alguns locais onde se podem consumir. Bom apetite. 

Curiosidades

- São moluscos gastrópodes terrestres.

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- Herbívoros, alimentam-se de verduras e de ração rica em cálcio.

-O muco permite a sua deslocação, protege a pele e ajuda-o a fixar-se em superfícies lisas

- Concha é feita com cálcio.

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- Hibernam no inverno, acasalam em maio e põem os ovos no verão. Demoram cerca de três anos para se tornarem adultos.

-  A esperança de vida é de 5 a 10 anos.

- Fazem parte dos recursos naturais do mundo mediterrânico. Há referências à recoleção como meio de suprir necessidades em anos de menor produção.

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- Ricos em proteína e baixos em calorias. Constituídos na maior parte por água, são um alimento aliado de quem petisca sem querer engordar. 

Um negócio que vale milhões

Este é um verdadeiro império no negócio dos caracóis. O Grupo Francisconde distribui duas mil toneladas de caracóis por ano para todo o País e ainda exporta para Espanha, França, Itália, Bélgica e Luxemburgo. É proprietário de 11 estabelecimentos 'Casa Dos Caracóis', onde se vende o caracol vivo e já cozido em regime take away.

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A história remonta a 1978, quando Francisco Caetano, originário do Fundão, se estabelece na Quinta do Conde, no concelho de Setúbal. Aí abriu uma cervejaria de sucesso, mas um problema de saúde levou-o a abandonar o negócio e a dedicar-se, na década de 90, ao comércio dos caracóis. Ao constatar da escassez em Portugal, iniciou-se na importação de caracóis oriundos de Espanha e Marrocos.

Quanto a preços, e quando se fala de caracóis cozidos, uma caixa pequena custa 6 euros e um balde grande 38 euros. Quanto a caracóis vivos, o quilo custa 3,5 euros, uma saca com 5 kg vale 12,50 euros. 

Festival saloio em Loures

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O festival do caracol saloio, em Loures, decorre de 12 a 29 de julho junto ao Pavilhão Paz e Amizade. Trata-se de uma iniciativa de características únicas que proporciona a oportunidade de se saborear um leque variado de pratos confecionados com o petisco, desde o caracol cozido ao prato mais elaborado.

O certame conta ainda com animação musical, artesanato e muita animação. Estão já selecionados restaurantes, presença que foi avaliada com base em diversos critérios, entre eles a votação qualitativa do público, o consumo de bebidas, a decoração das tasquinhas e a colaboração com a organização.

Para afugentar bruxas

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Na noite de S. João, ou Noite das Bruxas, de 23 para 24 deste mês, em Roma, Itália, existe a tradição de comer caracóis. A lenda diz que as bruxas voavam em vassouras para a ‘capital das bruxas’, Benevento, onde celebravam com danças à volta de uma árvore.

Mas antes reuniam-se em Roma, junto da Basílica de S. João, onde roubavam as almas das pessoas. Para desviá-las, os romanos comiam caracóis; comer muitos ‘corninhos’ afastava a adversidade. 

RECEITA

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Caracóis à portuguesa

Ingredientes:

Sal, um cubo de caldo de galinha, um pouco de orégãos, bastante alho, cebola, picante

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Preparação:

Lavam-se os caracóis apenas com água, colocando-os de seguida e durante 10 minutos dentro de uma panela (com água) antes de acender o fogão. Passados os 10 minutos e com o nível da água dois dedos acima dos caracóis, acende-se o lume no mínimo até estarem mortos. Juntam-se os ingredientes e coloca-se o lume no máximo. Deixa-se levantar fervura durante 5 minutos, retirando a espuma de vez em quando, e os caracóis estão prontos. Apaga-se o fogão e deixa-se repousar algum tempo.

ONDE COMER

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Filho do Menino Júlio dos Caracóis

Morada Rua Vale Formoso de Cima, 140-B, Marvila, Lisboa

Horário De terça a sexta das 12h00 às 22h30; sábado/domingo 16h00 às 22h30. Encerra à segunda

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Preço Prato 5 €; pires 3,5 €

Telefone 218 596 160

O Eduardo das Conquilhas

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Morada Rua Capitão Leitão, 118, Parede

Horário Terça a domingo das 12h00 à 01h00. Encerra à segunda.

Preço Prato 7,5 €; pires 5,5 €

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Telefone 214 573 303

Horta das Tâmaras

Morada Avenida Lino de Carvalho, 23, Évora

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Horário De segunda a sábado, das 08h00 às 00h00; Domingo das 12h00 às 23h00

Preço Prato 8 €, Pires 2,5 €

Telefone 968 469 495

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Cafetaria Radical

Morada Parque da Juventude,

Portimão

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Horário Das 09h00 às 00h00

Preço Travessa 7 €; Pires 4 €

Telefone 282 483 622

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Bar Azul

Morada Leça da Palmeira

Horário Quinta a terça das 09h00 às 00h00

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Telefone 229 951 810

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