Finlândia usa armazéns secretos da Guerra Fria para enfrentar coronavírus

Desde a cortina de ferro que os finlandeses têm vindo a preparar-se para todo o tipo de crises.

15 de abril de 2020 às 15:20
A estátua dos Três Smiths, em Helsínquia, com máscaras faciais e uma faixa: "Mantenham-se fortes"ng" Foto: Getty Images
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Um armazém secreto com materiais como ventiladores, material cirúrgico, luvas ou aventais de proteção. Esta é a arma da Finlândia para fazer face à guerra contra o coronavírus. 

O país possui uma coleção de materiais médicos, energéticos e alimentares que tinha em reserva desde a Guerra Fria e esta está a ser a sua mais-valia para combater o vírus numa altura em que estes mesmos materiais escasseiam em todo o mundo. 

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O esforço para manter afastados os "fantasmas da ocupação russa no passado" deixou o país nórdico em vantagem para enfrentar a ameaça à saúde.

O stock que a Finlândia tem ao seu dispor inclui ainda óleo, grãos, ferramentas agrícolas e matérias-primas para fabricar munição. É considerado um dos melhores da Europa. A Noruega, a Suécia e a Dinamarca também acumularam grandes stocks de equipamentos médicos e militares, combustível e alimentos durante a era da Guerra Fria, mas quase todos abandonaram essa medida de prevenção contrariamente aos finlandeses. 

"A Finlândia é a nação preferida dos nórdicos, sempre pronta para uma grande catástrofe ou a III Guerra Mundial", disse Magnus Hakenstad, um investigador do Instituto Norueguês de Estudos de Defesa.

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"Está no ADN do povo finlandês estar preparado", disse Tomi Lounema, CEO do Centro Nacional de Suprimentos de Emergência, referindo-se à proximidade de seu país com a Rússia, o país vizinho a leste.

De recordar que a Filândia partilha com a Rússia uma longa fronteira de 1.300 quilómetros. Os finlandeses tiveram de lutar contra uma invasão soviética em 1939 e, por isso, após a cortina de ferro, decidiram desenvolver e treinar extensos planos de contingência para qualquer tipo de crise.

Esses mesmos planos incluem situações de guerra, clima e até saúde. O coronavírus veio ativar todo o mecanismo de sobrevivência que os finlandeses têm vindo a desenvolver há mais de 30 anos. 

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"As máscaras são velhas, mas ainda funcionam", assegurou Tomi Lounema, CEO do Centro Nacional de Suprimentos de Emergência, ao The New York Times. 

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