GNR transmitiu as suspeitas à PJ
As suspeitas sobre o ex-cabo António Costa, de Santa Comba Dão, devido ao seu comportamento nervoso na investigação dos homicídios, foram transmitidas à Polícia Judiciária (PJ) pelo responsável do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Santa Comba Dão. A revelação foi feita por aquele responsável, Carlos Mateus, durante a sessão da manhã do julgamento de António Costa.
Mateus apontou que o réu mostrava-se preocupado com a investigação da PJ, “nervoso” e sentia constantemente necessidade de explicar os arranhões com que aparecia ao serviço, mesmo sem ninguém lhe perguntar a razão deles.
O responsável da investigação do NIC veio a encontrar-se em Mortágua com os inspectores Domingues e Sineiro, da PJ, a quem comunicou as suas suspeitas sobre o, então e ainda, cabo da GNR.
TIO NEGA ACUSAÇÕES
Da parte da tarde, o Tribunal ouviu Rogério Ferreira, tio e primo direito de duas das jovens assassinadas, Mariana e Isabel Cristina, respectivamente, que negou ser o autor dos crimes, como o acusou o ex-cabo da GNR em cartas escritas, depois da sua detenção no presídio de Santarém.
Rogério Ferreira negou ainda outras descrições constantes nas referidas cartas, como o pedido de sacos de rações e, uma das vezes, cordão azul para os atar. Estes sacos, segundo escreveu António Costa à PJ, destinar-se-iam a envolver os cadáveres das jovens assassinadas.
O tio de Mariana, durante as duas horas em que foi inquirido pelo Tribunal, negou igualmente que tenha pedido emprestado o carro ao ex-militar nem que tenham mantido um relacionamento amoroso com a prima ou ameaçado António Costa e a família.
A sessão da tarde terminou com a audição de Isabel Sousa, mulher de Rogério Ferreira.
António Costa é acusado de 10 crimes: três de homicídio qualificado, três crimes de ocultação e um de profanação de cadáver, bem como dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt