Governo quer Portugal a liderar na proteção e valorização económica dos oceanos

Ministra também pretende que se saiba conciliar a proteção dos meios marinhos com o desenvolvimento da chamada economia azul.

03 de março de 2026 às 15:08
Maria da Graça Carvalho Foto: Pedro Catarino
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A ministra do Ambiente e Energia posicionou esta terça-feira Portugal como o país que tem de liderar na proteção e valorização económica dos oceanos, um ativo que considerou ser estratégico e da maior importância para a humanidade.

"O oceano é efetivamente um ativo estratégico da maior importância para toda a humanidade, e Portugal, enquanto país de mar, com uma das maiores zonas económicas exclusivas do planeta, tem de assumir um papel preponderante na sua proteção e valorização" disse Maria da Graça Carvalho na sessão de abertura do I Fórum Mar Portugal organizado pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR).

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O evento reúne durante o dia de esta terça-feira, na capital algarvia, decisores políticos, investigadores, instituições financeiras, empresas e organizações internacionais para debater "como transformar conhecimento científico em valor económico sustentável e em políticas públicas eficazes".

Para a ministra do Ambiente, Portugal tem de "liderar pelo exemplo na defesa do oceano enquanto ecossistema com múltiplas funções ecológicas determinante na regulação do clima do planeta e reservatório da biodiversidade".

Maria da Graça Carvalho também pretende que o país saiba conciliar a proteção dos meios marinhos com o desenvolvimento da chamada economia azul, um conjunto de atividades económicas ligadas ao mar e às zonas costeiras, desenvolvidas com base no princípio da sustentabilidade ambiental e da transição ecológica.

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A ministra defendeu a aposta em "atividades inovadoras que conjugam a dupla ambição de proteger e valorizar", dando como exemplos o ecoturismo marinho sustentável ou a biotecnologia azul, nomeadamente no desenvolvimento de novos fármacos, sem afetar os habitais.

No início do fórum, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), António Miguel Pina entregou formalmente à ministra a carta de intenções "Algarve Capital Natural", um documento que expressa o compromisso dos 16 municípios algarvios em posicionar a região como referência na sustentabilidade do oceano.

Os autarcas pretendem que o Algarve seja "uma referência na valorização sustentável do capital natural, incluindo a proteção ambiental, a economia azul e o desenvolvimento sustentável do oceano e dos ecossistemas costeiros e marinhos".

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O capital natural é o conjunto de recursos e sistemas naturais que geram benefícios económicos, sociais e ambientais para a sociedade.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, José Apolinário, apelou à criação de condições par que haja mais investimentos para transformar o conhecimento científico em valor económico sustentável.

"Para podermos constituir uma economia azul sustentável precisamos de mais investimento nesta área", disse.

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O biólogo marinho e cientista climático Carlos Duarte afirmou que a Ria Formosa do Algarve é uma infraestrutura importante de capital natural, defendendo que "agora é o momento de investir na economia azul, havendo na região o capital humano para que isso seja alcançado".

A Ria Formosa é um sistema lagunar costeiro localizado no Algarve que se estende ao longo de cerca de 60 km entre o concelho de Loulé e o de Vila Real de Santo António. Trata-se de uma das zonas húmidas mais importantes do país, com elevado valor ecológico, económico e paisagístico.

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