Homem que tinha 100 orgasmos por dia muda de sexo

Christine continua a lutar contra o raro síndrome de excitação sexual persistente (PSAS).

28 de junho de 2017 às 11:22
Foto: Direitos Reservados
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Como Dale, um homem de 35 anos, sentia mais de 100 orgasmos por dia, devido ao síndrome de excitação sexual persistente (PSAS). Este síndrome, que afecta uma pequena percentagem da população, causa uma excitação espontânea e persistente nos órgãos genitais, com ou sem orgasmo, sem ser necessário existir qualquer desejo sexual.

Contudo, desde que decidiu, em Julho de 2015, tornar-se mulher e iniciar a terapia que reduz o nível de testosterona hormonal masculina, Dale veste agora a pele de Christine. Deste modo, viu o número de orgasmos diários cair de 100 para apenas oito.

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Numa entrevista, Christine, agora com 40 anos, de Wisconsin, nos EUA, afirma continuar casada com a sua mulher. "Nunca me senti um rapaz, apenas fingi ser um", conta.

A história de Christine com a doença começou em setembro de 2012, quando, ao levantar-se de uma cadeira, sentiu-se incapaz de andar.

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Em pânico, chamou uma ambulância - e experimentou cinco orgasmos espontâneos e seguidos, só no caminho para Holy Family Memorial Hospital, em Wisconsin.

"Nunca vou esquecer a cara dos paramédicos. Quase pareciam assustados. Eles nunca tinham visto uma coisa assim", lembrou Christine, que tem dois empregos – é assistente administrativa do antigo jorgador da NFL, Dr. George Koonce, e diretora de merchandising para a associação de ex-alunos de Green Bay Packers.

"Lembro-me de estar a soluçar, com medo, porque não fazia ideia do que estava a acontecer", confidencia.

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No dia seguinte ao primeiro episódio, Christine teve 236 orgasmos. "Estava de joelhos, aflita, e ninguém percebia o que estava a acontecer", conta. "Senti-me humilhada", revela.

Nesse mesmo mês, depois de ter sido diagnosticada com o síndrome, vários médicos reuniram-se com Christine, para lhe explicar o que estava a acontecer.

Pouco tempo depois, Christine encontrou um terapeuta que estava disposto a ajudá-la. E propôs-lhe um tratamento.

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Neste período, e ainda enquanto homem, Christine sentia-se completamente incapacitada: mal era capaz de acompanhar os filhos, Christian, agora com 15 anos, e Tayten, agora com 14 anos, numa corrida pelo parque.

Falar sobre a doença para quebrar tabus

Em 2014, Christine tornou-se no primeiro homem a falar sobre a vida com PSAS, numa tentativa de obter ajuda e consciencializar as pessoas sobre a sua condição.

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Contudo, ao invés de receber simpatia e apoio, Christine foi vista como um "monstro", e foi acusada de estar a inventar a doença, apenas para chamar a atenção.

Depois disto, a mulher decidiu esconder-se e muitos foram aqueles que acreditaram que havia morrido.

Pelo contrário, Christine estava, secretamente, a continuar o seu tratamento, que começara a funcionar. Ao mesmo tempo estava também em proscesso de mudança de sexo.

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Então, em Junho de 2015, Christine foi convidada a falar sobre a sua condição numa conferência da American Association of Sexuality Educators, Counselors and Therapists (AASECT). Depois de anos de uma cansativa e secreta luta, Dale mostrou-se ao mundo como Christine, em frente a uma extensa plateia, numa conferência que foi transmitida na televisão norte-americana.

"Eu mentia há demasiado tempo (…) eu sabia que não era um rapaz, e sentia-me uma mulher, mas tive medo", conta. "Naquele momento, a minha vida mudou", revela, aliviada.

Hoje, quase a lançar a sua primeira autobiografia – que estará disponível online – e a trabalhar em vários livros com o ex-futebolista americano, George Koonce, sente-se "feliz".

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"Inspirei-me em pessoas como Caitlyn Jenner (pai das famosas irmãs Jenner) e Laverne Cox", revela.

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