Correio da Manhã

Homicídio de triatleta de Alenquer foi planeado ao pormenor
Foto Direitos Reservados
Foto Pedro Catarino
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Por Tânia Laranjo | 01:30
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Todos os passos que Luís Grilo deu no dia em que desapareceu fugiram da rotina habitual.

A morte de Luís Miguel Grilo foi planeada ao pormenor. Na segunda-feira, dia 16 de julho, último dia em que terá sido visto com vida, o triatleta não foi trabalhar, não apareceu na empresa e nem sequer atendeu o telefone. Todos os passos que deu e que são conhecidos até agora fugiram da rotina habitual e são classificados como estranhos. Luís Grilo desapareceu de Vila Franca de Xira e foi encontrado nu e com um saco na cabeça, em Avis, a mais de 130 km.

"Foi muito estranho, nunca acontecia, não atender e nem sequer devolver as chamadas", garantiu um funcionário ao CM, pedindo anonimato, sobre a falta de respostas de Luís Grilo no dia do desaparecimento. Segundo a mulher do triatleta, Rosa Grilo, o marido terá depois saído, nesse dia, para um treino de bicicleta, o que também é assinalado como "estranho" pelo seu treinador. Que já deu conta à PJ da alteração da rotina de Luís Grilo, o que poderá ser mais um indício de que algo aconteceu.

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Outro facto que pode ter baralhado a investigação foi o vulto de um homem de bicicleta, a poucos quilómetros de Cachoeiras, Vila Franca de Xira, onde Luís Grilo vivia. As autoridades admitem agora que possa ser uma coincidência.

A autópsia não ajuda. O elevado estado de decomposição do corpo deixa muitas dúvidas sobre a causa da morte e não dá pistas sobre se Luís Grilo foi morto a 16 de julho ou depois.

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O cerco aperta-se à volta do núcleo mais próximo da vítima. Só alguém que conhecesse as suas rotinas conhecia também o local onde o corpo foi depois depositado. Sem respostas, a despedida de Luís Grilo, ontem à tarde, foi também um momento de tensão. Há um pacto de silêncio entre os amigos do triatleta que querem esclarecer o que aconteceu. A tese de crime passional ganha mais força.

Padre lembra "sofrimento" de Luís Grilo
O padre Rui Peralta, pároco de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, celebrou esta quinta-feira a missa no funeral do triatleta Luís Miguel Grilo. Perante uma casa mortuária repleta de dezenas de familiares e amigos do engenheiro informático, assassinado aos 50 anos, o padre recordou o "sofrimento da alma agora encomendada".

Rosa, viúva do triatleta e Renato, filho de ambos, de apenas 12 anos, abraçaram-se a chorar, confortando-se mutuamente enquanto olhavam para o caixão coberto com o símbolo da equipa de triatlo Wikaboo (que Luís Miguel representava) e com o cachecol do Benfica, clube do coração do engenheiro e do filho. A urna seguiu depois, em braços, num curto trajeto até ao cemitério local.

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