Homossexuais católicos consideram "infelizes" declarações de psicóloga

Maria José Vilaça diz que ter um filho 'gay' é como "ter um filho toxicodependente".

14 de novembro de 2016 às 12:30
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A Associação Rumos Novos -- Homossexuais Católicos considerou esta segunda-feira infelizes as declarações da psicóloga Maria José Vilaça sobre ter um filho homossexual, mas ressalva que as suas palavras apelam "ao acolhimento e amor dos pais" pelo filho 'gay'.

Em declarações à revista Família Cristã, a presidente da Associação de Psicólogos Católicos, Maria José Vilaça, afirmou: "Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer. É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom".

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"Não concordando com parte do conteúdo e achando infeliz o exemplo encontrado, notamos o apelo ao acolhimento e amor dos pais por qualquer filho ou filha que seja homossexual, ainda que não concordando estes com essa mesma orientação sexual", afirma a associação em comunicado hoje divulgado.

Perante isto, afirma, "a lição que devemos reter é a ler os artigos na íntegra e não excertos descontextualizados e, sobretudo, em não sermos lestos no gritar 'homofóbica'".

A este propósito, a Rumos Novos afirma que tem vindo a assistir-se a "um fenómeno curioso e preocupante", de que "quem expressa uma opinião contrária à nossa", neste caso a homossexualidade, "é necessariamente homofóbico".

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"Queremos rotular de homofóbica toda a pessoa que discorda de nós, que tem uma opinião diversa sobre a homossexualidade, mesmo que não incite ao ódio contra quem quer que seja", sublinha, lamentando: "pretendemos coartar a liberdade de expressão aos outros, que aos quatro ventos reclamamos para nós".

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) não tem o mesmo entendimento das declarações de Maria José Vilaça, que considerou de "extrema gravidade" e já anunciou que irá participar os factos ao Conselho Jurisdicional da Ordem, para que seja aberto um inquérito.

Na sequência desta decisão estão as "dezenas de queixas" que a ordem recebeu e o facto de Maria José Vilaça "ter falado a título profissional", refere em comunicado a OPP, sublinhando que "não se revê nas afirmações proferidas" e que estas não representam a opinião da ordem.

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Para a OPP, estas declarações "não apresentam qualquer tipo de base científica" e "apenas contrariam a defesa dos direitos humanos, da evolução e equilíbrio social, e dificultam a afirmação dos psicólogos na sociedade".

A participação da ordem teve em consideração o esclarecimento dado posteriormente pela psicóloga.

Nesse esclarecimento, citada pela ordem, Maria josé Vilaça afirma: "o que disse é que perante um filho que tem um comportamento com o qual os pais não concordam, devem na mesma acolhê-lo e amá-lo. A toxicodependência é apenas exemplo de comportamento que por vezes leva os pais a rejeitar o filho. Não é uma comparação sobre a homossexualidade mas sobre a atitude diante dela".

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