Ilegalidades detetadas na concessão da Escola Hoteleira da Madeira

Auditoria do Tribunal de Contas detetou irregularidades.

12 de dezembro de 2016 às 15:31
ilegalidades, concessão, escola hoteleira, Madeira Foto:  iStockphoto
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Uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC) detetou irregularidades no contrato de concessão e exploração da Escola Profissional de Hotelaria e Turismo da Madeira (EPHTM), que podem implicar a "ilegalidade da adjudicação do contrato".

Segundo a auditoria, cujos resultados foram hoje revelados, o TdC adverte que "o secretário Regional de Educação e Cultura praticou atos administrativos sobre matérias que se encontravam legalmente cometidas à RAM, a exercer pelo Conselho do Governo Regional, sem que lhe tivessem sido expressamente delegadas competências para tal".

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Aquando da assinatura do contrato, em setembro de 2010, era responsável pela pasta da Educação Francisco Fernandes, que alegou ter sido "entendimento que, havendo uma resolução do Governo Regional" a mandatá-lo e ao secretário do Plano e Finanças "para a abertura do concurso e, depois, para outorga do contrato, (...) que estariam mandatados para a nomeação do júri e demais tramitação interna inerente ao próprio contrato".

O TdC alega que "não foi nomeado júri para conduzir o procedimento pré-contratual", que "a entidade adjudicante não exigiu requisitos mínimos de capacidade financeira aos candidatos", inclusive que "o modelo de avaliação das propostas foi incorretamente formulado" e que a proposta do Centro de Estudos, Línguas e Formação do Funchal (CELF) "foi admitida indevidamente".

Considera ainda o tribunal que o contrato obrigava a um pagamento de uma renda anual de 200 mil euros ao executivo madeirense, mas "só foi cumprida relativamente aos últimos quatro meses de 2010", sendo que a região não acautelou o "cumprimento do pagamento das rendas devidas, com exceção da execução da garantia bancária no valor de 90 mil euros".

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O TdC diz que a região apenas em 2015 recorreu ao tribunal para reclamar a dívida, isto apesar do CELF, ter beneficiado "de dinheiros públicos até ao final de 2015, na ordem dos 13,9 milhões de euros, por conta de transferências atribuídas pelo Fundo Social Europeu".

O atual secretário Regional das Finanças e Administração Pública, Rui Gonçalves, alegou que o processo interposto em tribunal aconteceu "13 dias antes da tomada de posse do XII Governo da Madeira", liderado por Miguel Albuquerque, considerando desta forma estar limitada a "reação" ao incumprimento do CEF.

Pela maioria dos factos descritos, considera o TdC que há infrações geradoras de responsabilidade financeira sancionatória pela aplicação de multas e recomenda à Secretaria Regional de Educação que "cumpra, de forma estrita, as normas do Código dos Contratos Públicos que enformam e disciplinam este procedimento adjudicatório".

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