Inês de Medeiros avisa Governo que opção entre socialistas e Chega será julgada pelos portugueses
Autarca defendeu que, perante este cenário, os militantes do PS devem mostrar-se orgulhosos em serem políticos e socialistas.
Inês de Medeiros, que encabeça a lista da direção à Comissão Nacional do PS, avisou este sábado o Governo que não é indiferente juntar-se à extrema-direita ou colaborar com os socialistas e que essa escolha será julgada pelos portugueses.
Numa intervenção no 25.º Congresso Nacional do PS, em Viseu, a socialista mostrou-se orgulhosa por encabeçar a lista de José Luís Carneiro à Comissão Nacional e definiu como uma prioridade do atual momento a desconfiança dos jovens em relação à política e aos políticos.
Inês de Medeiros disse ser necessário questionar o propósito da política e avisou que se vivem "tempos difíceis para a democracia" em Portugal e no mundo com uma "inversão total de valores ao regresso das forças que se julgava definitivamente afastadas depois da Segunda Guerra Mundial".
"Forças que procuram normalizar autocracias, regimes autoritários, totalitários, políticas de ódio, políticas que vivem de encontrar bodes expiatórios nos mais fracos. Forças que querem criar um novo normal, criando a hegemonia das ideias do ódio, da indiferença, da desigualdade e que são, como nós sabemos, muito, muito propagados pelas redes sociais", detalhou.
A presidente da Câmara de Almada defendeu que, perante este cenário, os militantes do PS devem mostrar-se orgulhosos em serem políticos e socialistas, uma vez que são, acrescentou, do "partido da liberdade, das grandes transformações", do SNS, da escola pública, da integração europeia e direitos das mulheres e pessoas LGBTQI+.
A autarca avisou também, dirigindo-se ao Governo, que "não é indiferente juntar-se à extrema-direita ou pedir colaboração ao PS" e que esta "é uma escolha ideológica" que os portugueses julgarão.
"É inadmissível que os meios justifiquem os fins. Os meios devem comprovar os fins. E sim, o atual Governo parece ter esquecido este princípio. Não sabemos quais são os fins que pretendem porque sempre os omitiram, mas não olham a meios para atingir os fins que nos ocultam", criticou.
Inês de Medeiros considerou que o PS não deve ter vergonha do seu passado, porque isso seria trair a história do partido e de quem beneficiou das suas políticas, e alertou que se assiste hoje a "movimentos que tentam transformar a imoralidade em liberdade de expressão".
"O PS nunca confundiu estes dois valores, nunca. Sabemos que o ataque direto aos valores que sustentam a democracia e os direitos fundamentais consagrados na nossa Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, há um ataque que está em curso", acrescentou.
Inês de Medeiros abordou ainda a questão da regionalização, como já tinha feito a autarca de Matosinhos Luísa Salgueiro, para enfatizar que o PS "tem que encabeçar" essa luta.
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