Israel aprova lei que permite apropriação de terras palestinianas
Medida causa muitas preocupações em relação à possibilidade de um processo de paz.
O parlamento israelita votou esta segunda-feira uma lei que vai permitir ao Estado apropriar-se de centenas de hectares de terras palestinianas na Cisjordânia ocupada, dando um novo golpe em qualquer perspetiva de paz.
A lei foi aprovada por 60 deputados e rejeitada por 52.
A legislação legaliza, no âmbito do direito israelita, o roubo de terra aos palestinianos e constituirá mais um passo para a anexação de uma parte da Cisjordânia, segundo os críticos.
O líder da oposição do Partido Trabalhista, Isaac Herzog, qualificou a lei como um "ato desprezível", que vai "anexar milhões de palestinianos" e expor soldados e políticos israelitas a julgamentos nos tribunais criminais internacionais.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Ofir Akounis, do partido de direita, Likud, do primeiro-ministro do país, afirmou que "toda a terra de Israel pertence ao povo judeu".
"Aquele direito é eterno e incontestável", vincou.
Desde 20 janeiro, quando Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, Israel fez cinco anúncios de colonização em mais de 6.000 novas unidades habitacionais na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios palestinianos ocupados.
Grande parte da comunidade internacional refere-se aos colonatos como um obstáculo à paz entre israelita e palestinianos, em conflito há 70 anos.
O coordenador especial da ONU para a paz, Nikolay Mladenov, disse estar "preocupado" com a nova lei, que reduz "significativamente as perspetivas de paz".
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