Italiano suspeito de branqueamento de capitais encontrado morto na cadeia em Maputo
Empresário tinha iniciado uma greve de fome após a detenção.
O empresário italiano Humberto Sartone, detido em Maputo por suspeitas de tráfico e branqueamento de capitais, foi encontrado esta sexta-feira morto na cadeia de máxima segurança onde se encontrava desde abril, segundo o serviço penitenciário.
Em comunicado, a direção-geral do Serviço Nacional Penitenciário (Sernap) refere que o empresário foi encontrado na cela pelas 08h30 locais (07h30 em Lisboa), caído no chão, e "aparentemente sem sinais vitais", durante o ato de rendição dos agentes de guarda adstritos ao Estabelecimento Penitenciário Especial de Máxima Segurança da Machava (BO), arredores da capital moçambicana.
Acrescenta que o caso foi comunicado ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), que realizou diligências de inspeção ao local, confirmando o óbito, com o Sernap a garantir que vai "apurar as reais circunstâncias" da morte do empresário, que tinha iniciado uma greve de fome após a detenção.
Humberto Sartone, proprietário da hospedaria Kaya Kwanga, localizada numa das zonas nobres da capital de Moçambique, e seus alegados sócios foram detidos em 21 de abril, na sequência de operações de busca e apreensão em imóveis ligados aos suspeitos, no âmbito de um processo em instrução, fortemente mediático, pela alegada associação do italiano a interesses de influentes grupos moçambicanos.
Entre os alegados sócios detidos está Saleem Karim, Tarmomed Valai Mahomed, empresário moçambicano de origem paquistanesa, e o filho deste Anass Tarmomed, avançou na altura à Lusa o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), Hilário Lole.
Segundo Lole, entre as suspeitas levantadas pelas autoridades moçambicanas está a de que os indiciados integram uma rede de crime organizado envolvida em práticas de branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
O Sernap já tinha manifestado anteriormente preocupação com a greve de fome que o empresário estava a realizar na cadeia.
"Recusa-se voluntariamente a ingerir alimentos, mantendo a referida posição até ao presente momento, facto que gerou preocupação por parte da direção da unidade penitenciária", explicou na altura o Sernap, em comunicado.
O Sernap disse ter comunicado à família e notificado o representante legal do empresário detido para "sensibilizá-lo a abandonar a greve", mas, "apesar dos esforços", o suspeito mantém a sua posição.
Avançou que estava a acompanhar a situação com a devida responsabilidade, garantindo o respeito pelos direitos fundamentais do recluso, além do "cumprimento rigoroso das normas legais e humanitárias em vigor" em Moçambique.
Moçambique está entre os países africanos com alta criminalidade e baixa resiliência ao crime organizado, com Angola, segundo o "Africa Organized Crime Index 2025", apresentado em novembro no Quénia.
No relatório, que quantificava a taxa de criminalidade organizada e de resiliência dos países africanos numa escala de um a 10, Moçambique, com 6,63, figurava na oitava posição dos países africanos com a taxa de criminalidade mais alta, numa lista que tem a República Democrática do Congo (RDCongo) à frente da classificação do continente, com 7,47.
O país de língua oficial portuguesa ganhou 0,43 desde 2023, ano em que foi feito o último relatório de crime organizado.
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