Justiça francesa acusa tio do Presidente sírio de desvio de fundos

Rifaat al-Assad é também ex-vice-presidente do país.

28 de junho de 2016 às 13:23
Bashar Al-Assad, Síria Foto: EPA
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O ex-vice-presidente da Síria, tio do Presidente Bashar al-Assad, foi acusado pelo ministério público francês de reunir uma fortuna imobiliária com o desvio de fundos públicos, avançou a agência France Presse, que cita fontes não identificadas.

Irmão do antigo presidente sírio Hafez al-Assad, que o afastou do poder nos anos 80, Rifaat al-Assad, 78 anos, foi acusado no passado dia 9 de junho por recetação de desvio de fundos públicos, branqueamento, assim como da dissimulação do pagamento de salários a empregados não declarados, de acordo com uma fonte não identificada pela AFP, próxima do inquérito judicial.

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O juiz de instrução emitiu um mandado para que seja entregue ao acusado, de acordo com a mesma fonte.

A organização não-governamental (ONG) Sherpa, especializada na defesa de crimes económicos, que apresentou queixa em 2013 e 2014 contra este caso de "bens adquiridos indevidamente", felicitou este "avanço" da justiça francesa.

No exílio desde os anos 80, dividindo a sua vida entre o Reino Unido, França e Espanha, Rifaat al-Assad é acusado pela Sherpa de se ter apropriado de uma fortuna considerável proveniente da corrupção e do desvio de fundos públicos na Síria.

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Num relatório de 2014 a que a AFP teve acesso, as autoridades de investigação alfandegária francesas estimam em 90 milhões de euros o valor global do património imobiliário detido em França por Rifaat al-Assad e pela sua família -- foram identificadas quatro mulheres oficiais e uma dezena de filhos -, nomeadamente através de sociedades no Luxemburgo.

O inventário incluía um "château" e uma criação de cavalos nos arredores de Paris e vários bens imobiliários nos bairros mais ricos da capital francesa, entre os quais, hotéis e dois prédios inteiros, para além de escritórios em Lyon. Estes bens terão sido adquiridos, de acordo com as investigações, entre 1984, ano da chegada de Rifaat al-Assad a França com os seus acompanhantes, e 1988.

Ouvido pela justiça francesa uma primeira vez em 2015, Rifaat al-Assad respondeu que os fundos eram provenientes do príncipe herdeiro e futuro rei Abdallah da Arábia Saudita, nos anos 80, garantindo não ter gerido ele próprio estas aquisições.

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A justiça francesa entendeu, no entanto, que Rifaat al-Assad não apresentou nenhum justificativo válido para uma doação de dez milhões de dólares em 1984, "sem qualquer relação com a sua fortuna atual e com os elevados meios de vida", que apenas podem ser "explicados por recursos ocultos muito importantes", afirmou à AFP uma fonte próxima do inquérito.

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