Operação 'Viragem': Otelo planeia fim do regime

n Ficou em liberdade na sequência do 16 de março com a missão de concluir o plano do pronunciamento militar.

22 de abril de 2014 às 20:00
25 de abril, revolução, cravos, otelo saraiva, liberdade Foto: D.R.
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Na tarde de 24 de abril, dois homens estão ajoelhados, lado a lado, na Igreja de S. João de Brito, em Lisboa. Pareciam homens de fé. E a verdade é que acreditavam. Tinham a crença, inabalável, de que desta vez é que o regime caía.

Os dois conspiradores que trocavam segredos como se estivessem a rezar, para evitarem os ouvidos indiscretos da polícia política, eram Carlos Albino e Manuel Tomás – responsáveis pelo programa ‘Limite’ da Rádio Renascença: combinavam a emissão da senha fundamental que daí a poucas horas iria desencadear o golpe de Estado.

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Otelo Saraiva de Carvalho trabalhava com os majores Manuel Monge e Casanova Ferreira, desde os inícios de março, num plano militar para acabar com o regime. Os três, como resposta à demissão de Costa Gomes e de Spínola e pressionados pelo momento político, decidem avançar em 16 de março – ainda o plano de operações era embrionário. A insurreição falhou. Monge e Casanova – mais 66 oficiais – são presos. Os detidos protegem Otelo, professor da Academia Militar. Deixam-no de fora da conspiração. Fica em liberdade – mas com uma missão: concluir o plano de operações.

Otelo não trabalha sozinho. Conta com o desembaraço do capitão Luís Macedo, do Regimento de Engenharia de Lisboa, na Pontinha, onde ficará instalado o posto de comando . Ambos estão obrigados a andar depressa.

Generais ligados ao presidente Américo Thomaz – liderados por Kaúlza de Arriaga – também planeiam um golpe: acham que Marcello Caetano é um fraco e receiam que desista da defesa das colónias pela ponta das espingardas (ver texto nestas páginas). Em 15 de abril, Otelo Saraiva de Carvalho e Luís Macedo terminam o plano de operações. Dão-lhe um sugestivo nome de código: ‘Operação Viragem Histórica’.

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O regime, afastado o perigo do 16 de março, respira otimismo. Marcello Caetano, no dia 28, faz pela RTP a habitual ‘Conversa em Família’. Nem lhe passa pela cabeça que será a última. Dois dias depois, assiste a um Sporting- Benfica em Alvalade (3-5): os aplausos da multidão deixam-no certo sobre a popularidade do governo. Pura ilusão. Não sabe que dois grupos de polos diferentes correm para o apear do poder: uns, os ‘ultras’, pretendem manter o Ultramar a todo o custo; os outros querem acabar com a guerra colonial que já dura há precisamente 13 anos.

Entre 17 e 19 de abril, Otelo distribui as missões aos oficiais de ligação com as unidades sublevadas. O tenente-coronel Garcia dos Santos e o furriel Cedoura montam em tempo recorde todo o esquema de transmissões. No dia 22, os oficiais envolvidos na conspiração, de norte a sul do País, entram em alerta .

Precisamente às 22h55 de 24 de abril, o locutor João Paulo Diniz passa nos Emissores Associados de Lisboa a canção ‘E Depois do Adeus’. É a primeira senha. Avançam as unidades da capital. Vinte minutos depois da meia-

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-noite, Carlos Albino e Manuel Tomás, como tinham combinado ajoelhados na igrejas, põem no ar, na Rádio Renascença, ‘Grândola Vila Morena’. A revolução está em marcha.

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