Passagem de tufão dispara radiação em Fukushima

Água das chuvas filtra-se para o subsolo e mistura-se com o líquido contaminado.

15 de outubro de 2014 às 08:43
Fukushima, central, nuclear Foto: Tomohiro Ohsumi/Reuters
Partilhar

O nível de contaminação radioativa detetado nas águas subterrâneas perto da central nuclear de Fukushima disparou na sequência das chuvas torrenciais provocadas, na semana passada, pela passagem de um tufão, informou esta quarta-feira a operadora da central.

O nível de césio radioativo na água de um poço situado na costa e próximo da central ascendia a 251.000 becquerels (unidade de medida internacional para a radioatividade) por litro, o valor mais alto registado até ao momento naquele ponto, de acordo com amostras recolhidas pela Tepco Electric Power Company (TEPCO) nos passados dia 08 e 09, detalhou hoje a televisão estatal NHK.

Pub

A presença do isótopo radioativo é três vezes superior ao medido quatro dias antes, um aumento que, segundo os técnicos da central, resulta das intensas chuvas que caíram na região de Fukushima, causadas pelo poderoso tufão Phanfone, no passado dia 6.

A água das chuvas filtra-se para o subsolo e mistura-se com o líquido contaminado procedente dos reatores danificados da central.

Amostras de água subterrânea

Pub

Os responsáveis pela central planeiam recolher amostras de água subterrânea da zona com maior frequência, a fim de analisar a evolução da radiação, de acordo com a garantia dada pelos mesmos à televisão estatal.

Até ao momento, foi descartada a adoção de medidas adicionais, já que se desconhecem a profundidade e o alcance das fugas de água contaminada e atendendo a que a TEPCO tem já em curso medidas para tentar controlar o problema, tais como o bombeamento de água subterrânea ou a construção de mutos de contenção debaixo de terra.

O grande volume de água contaminada, da qual muita vai parar ao Oceano Pacífico, é um dos principais desafios na central, atingida por um sismo seguido de tsunami a 11 de março de 2011.

Pub

O acidente de Fukushima, o pior desde Chernobil (Ucrânia) em 1986, ainda mantém longe de casa milhares de pessoas que viviam junto à central, tendo as emissões e derrames resultantes afetado gravemente a agricultura, a pecuária e as pescas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar