Mata companheiro de cela porque ouvia vozes

Homicida diz que sofre de esquizofrenia.

24 de fevereiro de 2016 às 22:22
Estabelecimento Prisional de Lisboa Foto: Pedro Rocha
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Um recluso confessou esta quarta-feira em tribunal que matou o companheiro de cela no Estabelecimento Prisional de Lisboa, em março de 2015, mas afirmou tratar-se de um ato inconsciente provocado por vozes que disse ouvir, alegando problemas psicológicos.

"Sou responsável pelo que aconteceu, mas foi uma coisa momentânea. Não estava bem psicologicamente. Não sei o que me deu naquela altura, estava descompensado, ouvia vozes e não sabia lidar com o meu problema. Sofro de esquizofrenia", disse o arguido na primeira sessão do julgamento que arrancou na tarde de quarta-feira no Campus da Justiça, em lisboa.

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O arguido, atualmente com 33 anos, estava, à data dos factos, preso preventivamente por suspeita de ter matado à facada um cozinheiro, seu colega de trabalho, num hotel de luxo em Lisboa, em novembro de 2014.

A vítima do caso hoje em tribunal tinha 28 anos e nacionalidade espanhola e encontrava-se em prisão preventiva por tráfico de droga.

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Questionado pelo coletivo de juízes, o arguido descreveu a sua versão dos factos.

"Estávamos sentados na cama, a fumarmos um charro [haxixe] e comecei a ouvir vozes a dizer que ele ia fazer-me mal, matar-me, tirar-me a vida, e para eu não dormir de noite. Senti-me ameaçado e defendi-me, pois ele tinha as mãos no casaco e pensei que tivesse alguma coisa nos bolsos, ataquei-o e fiz-lhe uma gravata [ao pescoço]", relatou.

Contudo, os relatórios periciais - psicológicos e psiquiátricos - demonstram que o arguido é imputável e que tinha consciência dos seus atos à data dos factos.

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Arguido e vítima estavam na mesma cela há dois meses, nunca discutiram e davam-se bem. O arguido acrescentou que assim que recolheram à cela ficaram a ver um jogo de futebol na televisão, e o réu preparou o jantar para ambos.

O homem queixou-se ainda de que nunca soube lidar com o problema psicológico que diz padecer, porque "nunca teve acompanhamento médico".

Atualmente, disse estar medicado pela psiquiatra que o acompanha na prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, cadeia onde se encontra preso preventivamente.

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