Santana atribui queda a conjugação de interesses
O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes afirmou esta segunda-feira que a sua demissão, há dois anos, aconteceu devido a “uma conjugação objectiva de interesses de diferentes origens partidárias”, e classificou Cavaco Silva como um “protagonista importante” naquele período político.
A revelação de Santana Lopes foi feita durante a apresentação o seu livro ‘Percepções e Realidade’, o qual recusou tratar-se de “um ajuste de contas” com quem quer que seja, nomeadamente o Presidente da República em 2004, Jorge Sampaio, que ao convocar eleições antecipadas demitiu o então primeiro-ministro.
Segundo o ex-líder do PSD, o seu livro aborda “os factos” da crise política que levou à queda do seu governo, desde o dia em que Durão Barroso lhe falou da possibilidade de vir a ser presidente da Comissão Europeia, em Julho de 2004, até à dissolução do seu executivo, em Novembro do mesmo ano.
Pedro Santana Lopes recusou que tivesse existido uma “conspiração absurda” para derrubar o seu governo, mas salientou que entretanto algum dos protagonistas dessa crise “foram eleitos para outros cargos”.
O ex-primeiro-ministro sublinhou ainda que ao fim de dois anos não considera que Sampaio tivesse motivos para demitir o seu executivo e que ao fazê-lo “faz mal ao País”. A decisão do antigo Presidente da República foi “um golpe, mesmo que formalmente constitucional, nas instituições democráticas”, afirmou.
Na cerimónia de apresentação do livro, no Grémio Literário, em Lisboa, não esteve presente nenhum dos seus ministros ou dirigentes do PSD. A seu lado esteve apenas a deputada social-democrata Zita Seabra, da Altheia Editores, que prevê que o livro “vai ser um best-seller”.
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