Silves, uma cidade com marca árabe
Cidade nasceu junto ao rio arade e tem no castelo grande atrativo.
Nascida junto às águas do rio Arade, Silves foi crescendo ao longo de uma colina. As ruas íngremes de calçada vão dar ao castelo, de onde se avistam os pomares de citrinos que ladeiam, para sul, a cidade. Dos vários povos que passaram por ali, foram os árabes aqueles que deixaram uma marca mais profunda, tendo feito desta urbe um polo cultural e político do al-Gharb al-Andaluz, nos séculos IX a XII. Depois da conquista definitiva pelos cristãos, a cidade foi nomeada capital do Algarve, título que manteve até 1577.
Nada melhor do que começar este passeio à descoberta desta cidade histórica pela zona ribeirinha, onde as águas do Arade refletem o casario e o castelo. Existe ainda uma ponte antiga, que os locais chamam romana, que merece um olhar atento, apesar do seu estado de degradação. O Arade, que desagua no mar em Portimão, foi, aliás, a principal porta de entrada na cidade e teve uma grande importância económica no escoamento de produtos, mas hoje só os pequenos barcos conseguem sulcar as suas águas.
Deixando o rio para trás, há que subir as ruas, rumo ao centro histórico. A meio caminho entre a baixa da cidade e o castelo, fica o edifício da câmara, de estilo neoclássico e datado de finais do século XIX. A pouca distância situa-se o Museu de Arqueologia, construído em torno de um poço-cisterna almóada dos séculos XII-XIII e classificado como Monumento Nacional. O museu guarda peças que vão desde o Paleolítico até ao século XVII.
Depois desta visita, resta continuar a subir em direção ao castelo, com paragem obrigatória na Sé, um dos mais notáveis edifícios da arquitetura gótica do Algarve, construído em arenito vermelho (o chamado grés de Silves) e que terá sido mandado erigir nos finais do século XIII, embora tenha sido sujeita a diversas intervenções posteriores.
Da sé ao castelo é um saltinho. Este Monumento Nacional, com mais de mil anos, é um dos mais importantes legados da arquitetura militar árabe. Ocupa uma área de 12 mil metros quadrados, tendo sido alvo de obras de restauro nos anos 40 do século passado. Na entrada principal existe uma escultura em bronze de D. Sancho I, que, em 1189, conquistou pela primeira vez a cidade aos árabes. E, se ainda restar algum tempo, aproveite para conhecer a Cruz de Portugal, esculpida em calcário branco e datada do século XV-XVI, bem como a Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica, que acolhe iniciativas culturais.
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