Sócrates acusa juiz de "insinuação torpe e covarde"
Ex PM está revoltado com Carlos Alexandre. E também critica Marcelo Rebelo de Sousa.
O ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou esta sexta-feira o juiz de instrução da Operação Marquês, Carlos Alexandre, ter feito uma "insinuação torpe e covarde" a seu respeito, ao afirmar à SIC que não tinha dinheiro em contas de amigos.
À TSF, na primeira entrevista após as declarações de Carlos Alexandre na SIC e do adiamento do prazo do inquérito da Operação Marquês por 180 dias, o antigo chefe do governo considerou que o juiz, ao afirmar que não tinha dinheiro em contas de amigos, pretendeu atingi-lo, fazendo um juízo quanto à sua culpabilidade no processo.
"Foi uma insinuação covarde e torpe que o sr. juiz fez a meu respeito", argumentou, considerando que Carlos Alexandre pretendeu insinuar que o dinheiro da conta do seu amigo Carlos Santos Silva é seu.
Para Sócrates, trata-se de uma "insinuação gravíssima", além de "absurda e estapafúrdia", a ideia de que o dinheiro de Santos Silva é seu.
"Isso é falso e injusto. Se alguma coisa está provada no processo, é que essa acusação é falsa", salientou.
José Sócrates sustentou que o juiz "faltou e falhou aos seus deveres" ao fazer uma insinuação que pretendeu fazer um juízo de culpabilidade".
"Fê-lo sem haver acusação, sem haver julgamento, abusou do seu poder, ultrapassou todas as fronteiras", argumentou, na entrevista que a TSF vai emitir às 10h00.
Na entrevista à SIC, Carlos Alexandre apresentou-se como um "saloio de Mação" que precisa de trabalhar para pagar as contas e não tem dinheiro em nome de amigos.
"Não tenho fortuna pessoal, nem herdada, não tenho amigos pródigos, os meus encargos só são sustentados com trabalho sério", disse o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).
Sócrates também critica Marcelo Rebelo de Sousa
"Ao visitar o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) uma semana antes daquilo que - já se estava mesmo a ver que era mais um adiamento (do prazo para a conclusão do inquérito da Operação Marquês) o Presidente da República decidiu tomar parte", afirmou Sócrates.
"Fez um sinal político que não me escapou. De quem entre aqueles que abusam do poder - como é o caso do Ministério Público - o Presidente da República decidiu assim, do ponto de vista simbólico, visitar o DCIAP para sinalizar que está do lado de uma instituição contra o indivíduo", sustentou o ex-primeiro-ministro socialista.
Na mesma entrevista, Sócrates refere que o Presidente da República "não foi eleito pelas instituições", e que "deve compreender" que o principal dever de um chefe de Estado de uma República democrática é para com os direitos dos cidadãos.
No dia 7 de setembro, ao visitar o DCIAP, o Presidente da República, afirmava estar "muito empenhado" no funcionamento da investigação criminal.
Na altura da visita, o Presidente da República rejeitou pronunciar-se sobre questões concretas quando foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de decorrerem no DCIAP casos como o do ex-primeiro-ministro José Sócrates ou do ex-presidente do BES Ricardo Salgado,
"Eu só vim aqui dizer uma coisa: que é por um lado ouvir, ver as condições a trabalho e dar o estímulo ou dar o apoio do Presidente da República no sentido daquilo que os portugueses desejam, que é que seja realizada justiça e que ela aqui comece por uma unidade de investigação muito especializada da criminalidade muito complicada, mas que por isso mesmo preocupa os portugueses", explicou.
A visita presidencial ao DCIAP demorou mais de uma hora tendo o chefe de Estado sido acompanhado pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem e pela Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal.
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