Trasladação de Aquilino Ribeiro divide opiniões
A partir de hoje Aquilino Ribeiro torna-se o décimo português a ter honras no Panteão Nacional, no entanto, a trasladação dos seus restos mortais do escritor está a dividir opiniões. O professor Mendo Castro Henriques afirma que o escritor esteve envolvido na morte do rei D. Carlos, enquanto regedor da Confraria Aquiliana defende que a obra do escritor é suficiente para justificar a honra conferida.
O professor de Filosofia Mendo Castro Henriques, um dos subscritores de uma petição online contra a transladação do escritor, afirma, em declarações à rádio TSF, estar provado o envolvimento de Aquilino Ribeiro no regicídio. Para além de referir a existência de documentação que comprova a ligação de Aquilino Ribeiro à morte do rei D. Carlos, este docente da Universidade Católica refere que outra das provas é a fuga do escritor para Paris e a recusa do presidente francês Clemanceau em extraditá-lo. Este professor afirma ainda que a participação do escritor fica ainda comprovada pelas referências “ao longo da sua obra, até com expressões fortes como a que aparece no livro 'Lápides Partidas'”.
Por sua vez, o regedor da Confraria Aquiliniana, Jerónimo Costa, citado pela mesma rádio, afirma que o alegado envolvimento de Aquilino Ribeiro na morte do rei D. Carlos “não tem qualquer tipo de confirmação”.
Jerónimo Costa salienta a obra de Aquilino Ribeiro como uma das mais emblemáticas do séc. XX, motivo que considera ser “mais do que suficiente para a trasladação”.
A urna com os restos mortais de Aquilino Ribeiro foi esta manhã trasladada para o Panteão Nacional, numa cerimónia com honras de Estado a assistiram o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
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