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Correio da Manhã

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10 anos depois, o que os críticos disseram do primeiro iPhone

O primeiro 'smartphone' revolucionou a indústria e calou os cépticos.
José Carlos Marques 9 de Janeiro de 2017 às 16:47
Steve Jobs apresentou ao mundo o iPhone a 9 de janeiro de 2007
Steve Jobs apresentou ao mundo o iPhone a 9 de janeiro de 2007 FOTO: Getty Images

Fevereiro de 2007. Barcelona recebia a edição anual da 3GSM, a maior feira de tecnologia e comunicações da Europa. Marcas como a Nokia, BlackBerry, Motorolla ou Sony Eriksson disputavam o mercado dos telemóveis, com larga vantagem para a primeira, o produto de um fabricante finlandês.

Semanas antes, Steve Job anunciara o iPhone da Apples e prometia "revolucionar a forma como nos relacionamos com o telemóvel". A novidade era vista com um misto de desconfiança e desdém. "A Apple é excelente a fazer computadores, mas não tem experiência nenhuma a fabricar telemóveis. Nós temos a melhor tecnologia e estamos no mercado há muito tempo. Não temos nada a recear", dizia uma responsável da Nokia.

O desfecho da história é conhecido. A Apple só lançou o aparelho para o mercado em junho de 2007. Mas rapidamente obrigou toda a gente a passar para os smartphones e, embora nunca tenha chagado a dominar o mercado, fez a concorrência correr a seguir os seus passos. Lidos hoje, os comentários depreciativos ao primeiro iPhone e, sobretudo, os vaticínios sobre o fracasso do aparelho soam quase a comédia.

O jornal britânico Telegraph lembra que se escreveu na altura.

Steve Balmer, então chefe executivo da Microsoft, não foi de modas. "Não há qualquer hipótese de que o iPhone venha a ter alguma cota significativa do mercado. Nem pensar. é um item de 500 dólares. Eles [a Apple]podem fazer muito dinheiro. Mas se olharmos para os 1.3 mil milhões de telefones que são vendidos, eu prefiro que o nosso software esteja em 70 ou 80 por cento deles do que ter 2 ou 3 por cento, que é o que Apple vai conseguir.
Resultado: A Microsoft tem hoje 0,4% do mercado de telefones na América, contra 11,5% da Apple

A então gigante Nokia, que dominava o mercado com os seus robustos telefones, também mostrava pouco entusiasmo pela novidade. Ainda assim, o chefe executivo da empresa finlandesa, Olli-Pekka Kallasvuo, saudava a nova concorrência. "Não me parece que o vimos até agora seja algo de que nos crie a necessidade de mudar a nossa forma de trabalhar, o nosso software ou o nosso modelo de negócio. Mas acho que a chagada da Apple vai ser boa para a indústria.
Resultado: A Nokia foi comprada pela Microsoft e deixou de fabricar telefones. Anuncia-se agora o regresso, com o sistema operativo Android


Ante do iphone, a BlackBerry era o sinónimo de prestígio para os utilizadores de telemóveis. Jim Balsillie, chefe executivo da empresa , menorizou a novidade. "É uma nova entrada num mercado que já está muito ocupado, com muita escolha para os consumidores. Mas em termos de uma mudança de maré para a BlackBerry, acho que é uma afirmação exagerada.
Resultado: A BlackBerry deixou de fabricar telefones em 2016

O site Tech Crunch também fazia previsões catastróficas, sublinhando a falta de teclado. "Aquele teclado virtual vai ser tão útil para escrever emails e mensagens de texto como um telefone de discar. Não se surpreendam se um grande contingente de compradores de iPhones expressem o remorso por deitaram fora os seus BackBerry quando ele perderem uma hora extra por dia a mandar email pela estrada fora".
Resultado: Hoje o anormal é haver telefones com teclados físicos

O colunista Mike Himowitz, do Baltimore Sun, foi um dos mais críticos. "Se Jobs atasse um parte de latas com um cordel e lhe chamasse um telefone, um milhão de 'Macolytes' [fanáticos da Mac] chamar-lhe-iam um 'visionário minimalista' e pagariam 500 dólares por ele. Quantos mais gadgets se enlatam num pacote, mais coisas lá estarão para correr mal -  e maior é a possiblidade de algo errado acontecer. Quer mesmo que as comunicações do seu negócio estejam depdendentes da saúde do seu leitor de música?"
Resultado: Hoje os utilizadores descarregam dezenas (ou mesmo centenas) de aplicações para os seus aparelhos

Os comentários na net apontavam ao iPhone vários pecados mortais. Primeiro, um bug de programação inexplicável que impedia os primeiro aparelhos de enviar mensagens de texto para mais de um destinatário, erro que foi corrigido rapidamente. Depois a falta do rádio FM. A estranheza do teclado virtual e ausência de um ponteiro para o ecrã touch eram outros pontos 'fracos' apontados ao iPhone. Tudo passou.


A novidade já não dá lucro

Apesar do estrondoso sucesso do iPhone, hoje a Apple perdeu o poder de atração que cada novo aparelho trazia.  O mercado estagnou e, em 2016, a Apple registou vários recordes negativos. Pela primeira vez, a empresa viu as vendas de telefones cair. Foi também o primeiro ano em que os lucros da companhia caíram, quebrando uma série de 15 anos consecutivos de lucros crescentes.

O mercado está cada vez mais fragmentado e o sistema operativo da Google (que desistiu de fabricar aparelhos após uma curta e mal sucedida experiência), o Android, domina o mercado. A fabricante coreana Samsung tem a a maior cota de mercado, recorrendo ao sistema Android. A App Store -  a loja virtual que Steve Jobs abriu a todos os programadores, permitindo a criação de milhares de aplicações - é hoje largamente ultrapassada pela similar Google Play. 

O iPhone pode continuar a ser considerado pelos especialistas como o melhor equipamento do mercado, mas as pessoas dão hoje muito mais importância aos conteúdos, facilidade de utilização e abertura do sistema, o que põe a Apple em xeque.
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