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Gorbachov apela a Ocidente para não isolar Rússia

Artigo publicado no jornal governamental russo Rossiskaya Gazeta.
Lusa 21 de Abril de 2016 às 12:36
Antigo líder soviético, Mikhail Gorbachov
Antigo líder soviético, Mikhail Gorbachov FOTO: Jens Kalaene/EPA
Mikhail Gorbachov apelou hoje ao mundo ocidental para acabar com o isolamento da Rússia e para tomar uma atitude "construtiva" em resposta às medidas do atual chefe de Estado russo, Vladimir Putin, para a normalização das relações.

Num artigo publicado no jornal governamental russo Rossiskaya Gazeta, o último presidente da extinta União Soviética, hoje com 85 anos, argumentou que Moscovo tem um "papel importante e positivo" a desempenhar no mundo atual.

"É altura de o Ocidente parar com o isolamento" da Rússia, escreveu Gorbachov, o último chefe de Estado da era soviética, que liderou o processo de desmembramento das repúblicas da então URSS e o fim da Guerra Fria.

As relações entre a Rússia e o Ocidente, nomeadamente os Estados Unidos e a União Europeia (UE), estão no pior nível desde o fim da Guerra Fria, depois de, em 2014, Moscovo ter anexado a península ucraniana da Crimeia.

Hoje, no artigo, Gorbachov argumentou que, a 14 deste mês, Putin, num discurso, "mostrou passos concretos" para a normalização das relações com o Ocidente, "suavizando o discurso oficial", "apontando exemplos positivos da cooperação" e descrevendo o presidente norte-americano, Barack Obama, como "um homem decente".

"Podem os nossos parceiros desenvolver eles próprios uma atitude mais construtiva? Para já, isso não está claro, mas apelo-lhes para o fazerem", escreveu o antigo presidente soviético, salientando que ninguém pode assumir, à partida, que a Rússia possa aceitar desempenhar um papel secundário no mundo.

"Todos sairiam a perder com uma nova Guerra Fria", alertou.

Antigo crítico feroz de Putin, que acusou de reduzir as liberdades democráticas no país, Gorbachov tem vindo nos últimos anos a assumir uma postura mais conciliatória em relação ao Kremlin e chegou mesmo a apoiar a anexação da Crimeia.

Gorbachov salientou que a cooperação entre a Rússia e os Estados Unidos nos esforços para se encontrar uma solução pacífica para o conflito na Síria já permitiu que "relaxar as tensões" entre Moscovo e o Ocidente.

"Se isto assim continuar, teremos de partir para outras esferas mais altas nas relações, processo que poderá ser difícil e moroso", referiu, apelando aos presidentes russo e norte-americano que se encontrem para discutir os assuntos mais sensíveis.

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