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Correio da Manhã

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500 imigrantes abandonados em Marrocos

Cerca de 500 pessoas foram abandonadas no deserto do sul de Marrocos, depois de terem sido expulsas dos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, denunciaram esta sexta-feira elementos dos médicos sem fronteiras.
7 de Outubro de 2005 às 18:02
Entre os imigrantes que tentaram entrar em Espanha e agora se encontram entregues à sua sorte em pleno deserto marroquino, junto à fronteira com a Argélia, encontram-se mulheres, crianças e algumas pessoas feridas.
“Encontrámos mais de 500 imigrantes, entre eles mulheres e crianças”, afirmou um médico dos Médicos Sem Fronteiras, associação que já iniciou uma intervenção de urgência no local, através da distribuição de água, alimentos e mantas. A associação SOS Racismo referiu mesmo que pelo menos 24 pessoas morreram à fome na zona.
O Ministério do Interior marroquino confirmou entretanto que foram devolvidos na quinta-feira a Marrocos 73 imigrantes ilegais, mas explicou que as autoridades “adoptaram as medidas necessárias para garantir o acolhimento, alojamento e assistência médicas a estas pessoas”.
Entretanto, António Guterres, Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), afirmou já esta sexta-feira que esta organização está atenta e já iniciou “contactos estreitos” com as autoridades espanholas e marroquinas no sentido de garantir a protecção dos imigrantes. “É preciso permitir um acesso físico aos pedidos de asilo e garantir o estatuto de refugiado a quem tiver direito a ele”, afirmou Guterres em conferência de Imprensa, revelando que em breve seguirá para Marrocos uma missão ACNUR para avaliar a situação.
Por sua vez, o Secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, classificou de “muito grave” o problema da imigração, nomeadamente depois dos trágicos incidentes nos enclaves espanhóis de Ceuta e Mellila. Em Berna, Annan mostrou-se preocupado com a situação e recordou que actualmente “200 milhões de pessoas estão fora dos eus países”. “Este é um número que duplicou nas últimas três décadas e continua a crescer. As sociedades mais desenvolvidas vão precisar de ainda mas imigrantes. Portanto, a imigração é necessária. Temos de gerir o problema e será imperioso trabalhar em conjunto”, salientou o Secretário-geral da ONU.
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