A vida da unidade de elite da Marinha

Militares reservados que vivem em missões secretas. São homens simples e inteligentes.
Por Sérgio A. Vitorino|21.01.18
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A vida da unidade de elite da Marinha

Seis horas a nadar, de noite e com equipamento de combate completo, para dar toda a volta ao pontão do porto de Sines. Os militares do Destacamento de Ações Especiais (DAE) fazem uma ação de infiltração e sabotagem a uma instalação "crítica". É treino. "Mas realista e nada facilitado", conta o comandante do grupo de elite. A luta contra o mar, o peso do equipamento (acima de 25 quilos) e o cansaço têm apenas dois aliados: a noite, que lhes dá cobertura, e a alta preparação destes militares da Marinha - homens cujas missões ninguém ouve falar, mas que estão sempre de prevenção para, em poucas horas, serem enviados para qualquer ponto do Mundo.

"Crítico" é das palavras que mais se ouve. Há alvos "críticos", missões "críticas", técnicas e procedimentos "críticos", que não são partilhados sequer com as unidades aliadas mais amigas. E há o "classificado", como quem diz secreto ou discreto. O DAE não é uma unidade secreta. Longe disso. Mas das suas missões pouco se sabe, apenas aquilo que eles querem. "Em relação a missões, mormente o caráter classificado, é do conhecimento público a participação em operações em cooperação com a PJ, no âmbito do combate ao narcotráfico", explica à ‘Domingo’ o comandante do DAE. A sua identidade e a dos restantes militares da unidade não pode ser divulgada. Nem o número de elementos. Atacam crime organizado e terrorismo. Têm de se proteger e às famílias. Reserva não é palavra vã.

Quem está à espera de militares embrutecidos engana-se. Do marinheiro ao comandante, são modestos, simples, disponíveis e inteligentes. Muitos têm formação superior e são campeões nos desportos das horas livres. Nas missões, operam complexos sistemas de comunicação e recolha de informação. Na base não se comportam como estando acima dos restantes Fuzileiros. Nos treinos no exterior vira-se do avesso as t-shirts com nome e unidade. Peça de roupa que lhes custou dois anos, e muitas dores de corpo, a merecer e conquistar, no Curso de Operações Especiais da Marinha (COEMAR). "O DAE é composto por Fuzileiros especialmente selecionados, formados e treinados. Somos todos mergulhadores de combate e paraquedistas militares", diz o comandante. Após os dois anos à prova, apenas 10% ficam "aptos a cumprir missões reais como elementos do DAE". É então que começa a maior responsabilidade e o treino mais específico. "Temos um completo e abrangente plano de formação para nos mantermos aptos e qualificados nos diversos cenários (por exemplo mergulho e tiro sniper). É uma atividade complexa e completa a que nem os comandantes escapam", conta.

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