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Isabel dos Santos chumba proposta do BPI

Assembleia geral de acionistas não aprovou a cisão do banco.
Diana Ramos e Manuel Jorge Bento 5 de Fevereiro de 2016 às 12:46
Isabel dos Santos, empresária angolana
Isabel dos Santos, empresária angolana FOTO: Paulo Duarte / Jornal de Negócios

A empresária angolana Isabel dos Santos, segunda maior acionista do BPI através da Santoro, chumbou esta sexta-feira a proposta do conselho de administração do banco para a separação dos ativos africanos, mediante o isolamento do BFA numa sociedade independente do banco português.

"[A assembleia geral de acionistas] não aprovou a cisão do Banco BPI, em virtude de não ter sido alcançada a maioria qualificada de dois terços dos votos emitidos da qual dependia a sua aprovação", lê-se num comunicado enviado pelo banco de Fernando Ulrich à CMVM. Segundo o documento, "a proposta em causa obteve os votos favoráveis de 63.08% dos votos emitidos".

A reunião de acionistas decorreu esta sexta-feira no Porto e, segundo o comunicado do BPI, estiveram representados "221 acionistas, detentores de acções correspondentes a 82.35% do capital social".

O chumbo de Isabel dos Santos à proposta do BPI cria dificuldades ao banco gerido por Fernando Ulrich, que tem até ao final de março para encontrar uma solução para o banco angolano BFA. Isto porque a Direção Geral da Concorrência obriga a que o BPI diminua o risco de exposição aos ativos africanos.

Uma solução "plenamente satisfatória"
Artur Santos Silva, presidente do Conselho de Administração do BPI, garantiu na conferência de imprensa no final da assembleia-geral de acionistas que a cisão é a solução que melhor corresponde aos interesses do BPI e do País.

"Permitiria – e, espero, permitirá – que um banco com grande relevo no mercado angolano continue a ser controlado pelos interesses de uma sociedade de matriz portuguesa", afirmou Artur Santos Silva.

Considera ainda que esta é a solução "plenamente satisfatória relativamente às preocupações dos reguladores europeus".

"Atitude construtiva" dos acionistas
O projeto de cisão foi apresentado em 2015 pela administração de Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, que esta sexta-feira sublinhou que foi impedida uma solução que é boa para o banco.

Apesar disso, destacou a "atitude construtiva" dos acionistas e o facto de não ter sido hoje apresentado "qualquer argumento que explicasse porque esta decisão não é boa".

Já Mario Silva, da Santoro, empresa detida por Isabel dos Santos, afirmou que não interessa se a cisão é boa ou má.

"Não é possível de acontecer. Para acontecer tem que ser reunido um conjunto de vontades que não foi possível congregar e não é expectável que venha a ser possível de congregar, portanto, é melhor ajustar a rota e trabalhar em alternativas viáveis do que insistir em soluções que já provaram ser inviáveis", acrescentou Mário Silva.

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