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Correio da Manhã

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África: Denunciados homicídios e tráfico de órgãos

Um relatório publicado esta quarta-feira num jornal sul-africano revelou a prática corrente de assassínios e remoção de órgãos a jovens e crianças, para alegadamente serem usados posteriormente na medicina tradicional em Moçambique e África do Sul.
4 de Março de 2009 às 14:56

Alice Mabote, membro da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, instituição que iniciou a pesquisa, que o problema principal é a inexistência de leis que proíbam a posse de órgãos humanos, uma vez que a legislação apenas condena a remoção destes, mas não o seu tráfico. E, desta forma, não há qualquer registo de detenções na prática destes crimes nestes dois países.

Os autores do estudo concluíram, através de entrevistas a “curandeiros” e a defensores dos direitos humanos, que esta prática é um facto constante nas sociedades moçambicana e sul-africana e garantiram que esta realidade já não choca as comunidades devido à frequência com que se sucede.

 

O relatório revelou ainda que, para além do tráfico de órgãos, estes podem ser também utilizados por curandeiros, que se servem deles para complementarem as suas práticas, sejam elas de cariz sentimental, económico ou até para desejarem infortúnios aos inimigos.

 

Após serem questionados acerca destas práticas, 93 por cento dos entrevistados expressaram a grande confiança que sentem nestas curas. Matshidisho Ntsioua, uma das autoras do estudo, disse ter tido conhecimento da venda de um cinto, por parte de um curandeiro a uma senhora, onde estavam pendurados dedos e pénis de crianças e que alegadamente curaria a sua infertilidade. No fim, depois de utilizar o cinto durante algum tempo, a mulher confessou que o “remédio” não acabou com o seu problema.

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