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Agências de viagens contra proibição de autocarros turísticos no centro de Lisboa

Pedro Costa Ferreira teme que turistas fujam e que regresse um "silêncio assustador".
Lusa 23 de Novembro de 2017 às 08:15
Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT
Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT FOTO: Direitos Reservados

O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) advertiu esta quinta-feira, em Macau, que as medidas implementadas por Lisboa no tema da operação turística podem fazer regressar um "silêncio assustador" às ruas da cidade.

No discurso de abertura do 43.º Congresso Nacional da APAVT, que hoje começou, em Macau, Pedro Costa Ferreira afirmou ter o dever de "chamar a atenção particular da tutela e da Confederação [do Turismo Português]" para "o tema da operação turística na cidade de Lisboa".

Referindo-se, sobretudo, às restrições impostas pela Câmara de Lisboa à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da capital, mas também a novas medidas em estudo, o responsável considerou-as de "alterações profundas".

"Comungamos dos objetivos de harmonização do crescimento com a qualidade de vida dos habitantes da cidade, e sim, consideramos que o trabalho na área do turismo tem sido muito meritório", disse, referindo-se à Câmara Municipal de Lisboa e ao trabalho efetuado no pelouro do Turismo.

No entanto, acrescentou, "nenhum plano de harmonização deve afastar a atividade turística, antes deve exatamente tê-la permanentemente em conta".

Por isso, a APAVT faz um "apelo à tutela do Turismo e à CTP, que se incluam, e liderem, os trabalhos de negociação" em curso sobre estas matérias.

"Estamos a trabalhar em cima de realidades que cresceram muito, mas que se mantêm, acreditem, frágeis. Se não tivermos cuidado, voltaremos a ter sossego nas ruas de Lisboa. Mas daquele sossego assustador, que acompanha quem não pode sair à rua, com medo de ser assaltado, das drogas e da prostituição", sublinhou Pedro Costa Ferreira.

"Acreditem, por maior que seja o êxito, medidas inadequadas podem fazer regressar às ruas de Lisboa tempos recentes, aos quais ninguém quererá voltar", concluiu ainda.

Já em 8 de agosto, a Confederação do Turismo Português (CTP) tinha defendido a suspensão das restrições impostas pela Câmara de Lisboa à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da capital, para reavaliar o impacto no setor.

Em comunicado, a CTP deixava o aviso: "as restrições que a Câmara Municipal de Lisboa acaba de impor à circulação de autocarros de turismo em determinadas áreas da cidade têm um impacto negativo na atividade turística, nomeadamente junto das empresas que atuam no segmento MICE - Meetings, Incentives, Conferences, Exhibitions", isto é, dedicadas à organização de eventos para grandes grupos.

Para a confederação, a autarquia devia "suspender a medida, de forma a reavaliar o seu efeito económico e empresarial e ajustá-la no quadro de um diálogo aberto e construtivo com os agentes do turismo".

No final de julho, o município da capital informou ter proibido a circulação de autocarros turísticos com mais de nove lugares nos acessos à Sé e ao Castelo de Lisboa, visando evitar problemas para os moradores, ao nível do ruído e do congestionamento do tráfego, entre outros.

"Aquilo que pretendemos é que, se os circuitos turísticos estão todos regulamentados, os ocasionais não estão regulados e, portanto, há que regular a circulação dos veículos ocasionais de transporte de passageiros", disse na altura à agência Lusa o vereador do Planeamento, Manuel Salgado.

O autarca explicou que a Câmara já interveio "nas zonas que são críticas, nomeadamente acessos à Sé e ao Castelo, no eixo rua Jardim do Tabaco e rua Cais de Santarém, junto ao Museu do Fado", colocando sinais proibitivos.

"Depois, a partir de 01 de setembro, pretendemos condicionar a circulação na rua do Alecrim, Chiado, rua da Misericórdia, rua D. Pedro V, até ao Rato, portanto todo esse eixo", indicou.

Manuel Salgado informou, também, que "a um prazo mais longo, já certamente em 2018", a Câmara pretende "regular" toda esta área que fica compreendida "entre a Avenida Infante Santo, Estrela, Rato, Rua Alexandre Herculano, Avenida da Liberdade até à Avenida Almirante Reis, e depois Praça do Chile, Praça Paiva Couceiro, até ao rio".

No comunicado de 08 de agosto, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, frisava que o crescimento sustentável do turismo na cidade, apoiado pela confederação, "estará sempre associado um modelo de mobilidade urbano eficaz e adaptado às necessidades da capital".

"Entendemos, contudo, que deverá ser procurado um equilíbrio na definição desse modelo, que não comprometa atividades económicas tão relevantes para o desenvolvimento socioeconómico de Lisboa como é o caso do turismo", acrescentava o responsável.

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