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ANBP quer alteração da comissão de inquérito

A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) exigiu esta segunda-feira a integração de cientistas e representantes da Câmara de Coimbra na comissão de inquérito às causas da morte de quatro sapadores num incêndio em Mortágua.
7 de Março de 2005 às 21:00
"É preciso avaliar toda a situação e, dada a tragédia, poderá haver necessidade de alterar a doutrina de prevenção e combate a este tipo de incêndios florestais", disse o presidente da ANBP, Fernando Curto, numa conferência de imprensa em Coimbra.
Na sua opinião, a comissão deverá conter "um ou mais" representantes dos bombeiros profissionais, indicados pela Câmara Municipal de Coimbra, ou pelo comandante dos Sapadores da cidade, e, ainda, cientistas do grupo de investigação de incêndios liderado pelo professor da Universidade de Coimbra Domingos Xavier Viegas.
A investigação foi iniciada na sequência da morte de quatro bombeiros da companhia de Sapadores de Coimbra - Adelino Oliveira, José Lapa, Luís Teixeira e Acácio Silva, ocorrida terça-feira passada dia 1 num incêndio florestal na zona de Mortágua. Um quinto elemento da equipa, Rui Correia, salvou-se.
Rui Correia, que hoje também esteve presente na conferência de imprensa, escusou-se a dar pormenores do sucedido, exortou os colegas de profissão presentes na sala a utilizarem sempre os equipamentos de protecção individual, mesmo que sejam desconfortáveis, porque foram eles que lhe salvaram a vida.
PRESSÕES A BOMBEIRO
Fernando Curto, ao aludir à presença do bombeiro sobrevivente na conferência de hoje, criticou o comportamento do responsável do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra, António Bernardes, e do presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra, Jaime Soares.
De acordo com o presidente da ANBP, Soares e Bernardes telefonaram ao comandante dos Bombeiros Sapadores de Coimbra a sugerir que não fosse autorizada a presença de Rui Correia na conferência de imprensa de hoje, porque este "poderia ter um processo disciplinar".
Fernando Curto criticou também responsáveis de bombeiros que já se pronunciaram a tirar conclusões da tragédia, inclusive a afirmar ter havido falha humana.
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