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Annan renova apelo de cessar-fogo

Kofi Annan, secretário-geral da NATO, renovou esta quarta-feira o apelo a um “cessar-fogo imediato das hostilidades” no Líbano, num comunicado emitido durante a conferência internacional sobre a crise no Médio Oriente que decorre em Roma, Itália. Os países participantes no encontro exprimiram na sua declaração final o apoio ao envio de uma "força internacional sob mandato da ONU" para o Líbano.
26 de Julho de 2006 às 14:30
Durante uma conferência de imprensa que se seguiu ao encontro internacional, a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice declarou que as discussões multilaterais sobre o estabelecimento da força internacional terão lugar "nos próximos dias". No entanto, a declaração de Roma não especifica que países irão participar nessa força, nem sob que forma.
A declaração surge pouco depois de Kofi Annan ter reiterado o seu apelo ao Hezebollah para que “cesse os seus bombardeamentos nos centros israelitas de população civil” e a Israel para que “cesse os seus bombardeamentos, bloqueios e operações terrestres”, salientando ter-se gerado na região uma “grave crise humanitária”.
“Uma cessação temporária das hostilidades permitiria aproveitar dias e horas cruciais para o cumprimento de tarefas humanitárias essenciais”, acrescentou o secretário-geral da NATO.
Ao início da manhã, o secretário-geral da ONU tinha expressado consternação pelo ataque israelita contra um posto de observação das Nações Unidas, que causou a nmorte de qautro observadores da ONU. Annan considerou o ataque “deliberado” e pediu a Telavive para que inicie uma investigação para comprovar se o mesmo foi premeditado.
O ataque ocorreu durante a madrugada desta quarta-feira, quando raides aéreos israelitas destruíram uma base da ONU na cidade de Khiam, no Sul do Líbano e mataram quatro observadores. As Nações Unidas não revelaram a identidade das vítimas, mas Pequim anunciou que um dos falecidos é cidadão chinês.
A organização dirigida por Kofi Annan confirmou a morte de três observadores militares das forças da ONU destacadas no sul do Líbano (UNIFIL) e o desaparecimento de um outro elemento. No entanto, há fortes indícios de que tenha também perdido a vida. Ainda sem confirmação oficial, as vítimas mortais são um canadiano, um austríaco e um finlandês.
O ataque aéreo israelita que vitimou os observadores da ONU ocorreu numa altura em que o Conselho de Segurança daquele entidade avalia o futuro da missão no Líbano, que termina a 31 de Julho. Destacados naquela região estão dois mil efectivos militares, procedentes de países como a China, França, Ghana, Itália e Polónia.
ISRAEL LAMENTA DECLARAÇÕES DE ANNAN
O embaixador israelita nas Nações Unidas, Dan Gillerman, considerou “lamentáveis” as declarações do secretário-geral das ONU, Kofi Annan, a propósito da morte dos quatro observadores da Organização.
Face às declarações de Annan, Dan Gillerman afirmou à BBC estar “chocado e profundamente preocupado”, acusando o sercretário-geral da ONU de fazer “afirmações prematuras e erradas” e de “ao mesmo tempo que pede um inquérito” já ter tirado as suas conclusões.
FRANÇA PODERÁ COMANDAR FORÇA INTERNACIONAL
O Presidente Francês, Jacques Chirac, afirmou que a França poderá comandar a força internacional no Líbano mas sob determinadas circunstâncias e insistiu que a força de paz não deveria tentar desarmar o Hezbollah, segundo a edição do jornal francês ‘Le Monde’ desta quarta-feira.
Jacques Chirac afirmou, numa entrevista ao jornal, ser “difícil de encontrar um país com capacidade de comandar um força internacional no Líbano” e quando questionado se a França estaria preparada para assumir essa posição Chirac disse que o país “irá assumir as suas responsabilidades no Líbano e que tudo será decidido mediante acordo sobre determinadas condições”.
Chirac acrescentou ainda que França pretende um "cessar fogo, um compromisso político e uma força internacional que siga esta política de uma forma estritamente definida".
NATO NÃO DISCUTE ACTUAÇÃO NO MÉDIO ORIENTE
O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou esta quarta-feira em Bruxelas, ser muito cedo para discutir o papel da Aliança Atlântica no fim das hostilidades entre Israel e o Hezbollah.
Hoop Scheffer disse à imprensa que os 26 países da NATO estão atentos ao que acontece e que desejam que a conferência internacional sobre o Líbano, realizada hoje em Roma, tenha resultados.
O secretário-geral da aliança sublinhou que “não é o momento” para se especular sobre o papel da NATO no conflito do Médio Oriente e acrescentou que “há muitas sugestões sobre a mesa e que não exclui nenhuma das possibilidades”.
ISRAEL PROSSEGUE ATAQUES
As forças israelitas mataram dez palestinianos, entre os quais sete militares e uma criança de três anos, durante um ataque na Faixa de Gaza esta quarta-feira.
Israel comandou ataques aéreos e lançou raides em Gaza com o objectivo de travar os ataques de rockets por parte do Hezbollah. De acordo com os médicos, entre as vítimas do ataque desta quarta-feira estão pelo menos três crianças, uma de três anos. Até ao momento, 45 pessoas ficaram feridas, entre elas um operador de câmara da televisão palestiniana.
Entretanto, Israel anunciou ter morto um importante comandante do Hezbollah identificado como Abu Jafar.
TROCA DE PRISIONEIROS ATRAVÉS DA CRUZ VERMELHA
O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, pediu uma troca de prisioneiros entre Israel e o Líbano mediada pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), esta quarta-feira durante a conferência internacional em Roma.
Fuad Siniora pediu também que as zonas sensíveis como as quintas de Shebaa fiquem sob responsabilidade do Conselho de Segurança da ONU e pronunciou-se em favor do reforço dos efectivos e do mandato da Finul, força de mediação das Nações Unidas no sul do Líbano, de maneira a se poder avançar com as missões humanitárias e de se garantir a estabilidade.
O líder do governo libanês voltou ainda a apelar ao “cessar-fogo imediato e total”.
Entretanto, Ehud Olmert, primeiro-ministro israelita, informou que vai estabelecer uma zona de segurança de cerca de dois quilómetros no sul do Líbano, revelou esta quarta-feira à AFP um alto responsável israelita.
O responsável, que participou com o primeiro-ministro numa reunião à porta fechada no Parlamento israelita, adiantou ainda que Olmert afirmou que pretende “estabelecer uma zona de segurança de forma a que Hezbollah não se aproxime mais da fronteira” entre Israel e o Líbano.
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