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Guterres "preparado" para ser secretário-geral da ONU

Ex-primeiro-ministro diz que ajuda de Marcelo é "importante".
Lusa 22 de Setembro de 2016 às 19:53
O candidato a secretário-geral da ONU António Guterres
O candidato a secretário-geral da ONU António Guterres FOTO: Denis Balibouse/Reuters

O candidato a secretário-geral da ONU António Guterres disse esta quinta-feira, em Nova Iorque, que está "preparado" para os desafios do cargo, se for escolhido.

"Estou preparado para o fazer, se vier a ser escolhido, mas também tendo consciência de que há ainda muitas etapas a percorrer e que, sobretudo, é muito imprevisível a fase final desta escolha", declarou o candidato.

António Guterres venceu as primeiras quatro votações secretas para o cargo, que aconteceram a que aconteceram a 21 de julho, 05 de agosto, 29 de Agosto e 09 de setembro.

Ainda assim, o antigo primeiro-ministro continua cauteloso e passou a semana da Assembleia-Geral da ONU a multiplicar os contatos feitos nos últimos meses.

"Como dizia o Jean Monnet, nem otimista, nem pessimista, mas determinado. Estou a fazer aquilo que posso no sentido de oferecer esta disponibilidade para uma função, que, sendo extremamente difícil, se torna hoje muito importante, dado que o mundo passa por momentos muito complicados", explicou.

A campanha tem sido marcada pela intenção de eleger uma mulher, que nunca ocupou este cargo, ou alguém da Europa de Leste, para cumprir uma tradição de rotação geográfica, como tem defendido a Rússia.

Questionado sobre a Rússia ser um obstáculo à sua candidatura, António Guterres disse que discordava.

"Não há nenhum obstáculo, há um reconhecimento de que compete agora aos membros do Conselho de Segurança encontrar a melhor solução. Espero que esse juízo me seja favorável, mas, para já, tenho tido com todos os países do conselho de segurança um excelente diálogo", afirmou o antigo Alto Comissário para os Refugiados.

Duas outras votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de setembro, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

Ajuda de Rebelo de Sousa é "extremamente importante"
António Guterres disse ainda que a ajuda do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sua campanha é "extremamente importante".

"[É] extremamente importante. Quero agradecer muito, muito ao Sr. Presidente da República o enorme entusiasmo com que ele aqui defendeu a minha candidatura com todos os seus interlocutores", disse Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Durante esta semana, Marcelo Rebelo de Sousa promoveu a candidatura de Guterres nas dezenas de encontros bilaterais e reuniões em que participou à margem da 71.ª Assembleia Geral da ONU que decorre em Nova Iorque.

António Guterres agradeceu também o esforço feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, pelo "governo, pelos partidos da oposição, pela diplomacia portuguesa e, em particular, pelo Sr. Embaixador [de Portugal na ONU] e os seus colaboradores."

"Tem havido, de facto, uma solidariedade, um entusiasmo, um empenho que me deixam muito sensibilizado", disse António Guterres, afirmando que "se esta candidatura vier a ter um bom resultado, [o que] ainda estamos muito longe de saber, isso vai dever-se essencialmente a toda essa solidariedade e a todo esse empenhamento."

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o outono.

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