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Avaliação da Comissão Europeia ao défice é que será relevante

Quem o diz é a líder do CDS-PP, Assunção Cristas.
Lusa 21 de Abril de 2016 às 15:14
Assunção Cristas, política, CDS-PP
Assunção Cristas, política, CDS-PP

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, desvalorizou a confirmação por parte do Eurostat de que Portugal terminou 2015 com um défice de 4,4% do PIB, afirmando que "relevante" será a análise feita pela Comissão Europeia (CE).

 

"O Eurostat confirmou aquilo que o Instituto Nacional de Estatística reportou (...), não há propriamente uma novidade, o que é relevante é saber qual é a análise que a CE faz destes dados, quando se pronunciar em maio sobre a questão de sair ou não sair do procedimento por défice excessivo", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, no Porto, à margem de uma conferência sobre liderança.

 

Segundo a líder do CDS, "é muito relevante saber em que medida o efeito extraordinário Banif, de um ano apenas, que segundo o Governo está estimado em 1,4%, permite [a Portugal] estar com um défice de 3%".

 

O gabinete oficial de estatísticas da União Europeia confirmou hoje que Portugal terminou 2015 com um défice de 4,4% do PIB, e uma dívida pública de 129%, contabilizando os custos da medida de resolução aplicada ao Banif.

 

A validação dos dados do défice e da dívida pública de 2015 por parte do Eurostat ocorre após os Estados-membros terem enviado ao gabinete de estatísticas europeu a primeira notificação do Procedimento por Défices Excessivos (PDE). O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) fê-lo a 31 de março e é um dos elementos-chave que a Comissão Europeia terá em conta quando tomar uma decisão, em maio, sobre o PDE instaurado a Portugal em 2009, e que deveria ter sido encerrado em 2015.

 

No quadro das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, é lançado um procedimento por défice excessivo quando o défice público é superior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), tendo este sido precisamente o valor atingido por Portugal em 2015 sem contabilizar o impacto de 1,4% decorrente da medida de resolução aplicada ao Banif.

 

O Governo tem reiterado que a operação do Banif não deve ser considerada nas contas públicas, permitindo que o défice orçamental se mantenha na meta dos 3% do PIB, tendo o primeiro-ministro, António Costa, recordado já em diversas ocasiões que o ex-comissário europeu dos Assuntos Económicos Olli Rehn tinha o entendimento de que "operações desta natureza não deveriam ser qualificadas para efeitos de procedimento por défice excessivo", esperando por isso que a Comissão Europeia "mantenha esse entendimento".

 

A Comissão Europeia tem indicado que tomará uma decisão em maio, após ter em sua posse não só os dados validados do Eurostat, como também as previsões económicas da primavera (que a Comissão divulgará no início de maio) - para analisar a trajetória expectável do défice - e após analisar o Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade, que o Governo deverá apresentar até ao final de abril.

 

O Eurostat não só incluiu os custos associados à operação com o Banif no défice, como também o passivo do banco na dívida pública, isto depois de o INE, a 31 de março passado, já ter indicado que a dívida pública de 2015 era ligeiramente superior àquela apurada pelo Banco de Portugal (128,8% do PIB) contabilizando os 295 milhões do passivo do Banif S.A., elevando-a para 129% do Produto Interno Bruto.

 

 

 

 

 

 

 

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