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Costa: venda do Banif tem "custo muito elevado"

Primeiro-ministro garante que a solução é a que "melhor defende interesse nacional".
Lusa 21 de Dezembro de 2015 às 00:09
O primeiro-ministro, António Costa
O primeiro-ministro, António Costa FOTO: EPA

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu no domingo que a venda do Banif ao Santander, por 150 milhões de euros, tem um "custo muito elevado", mas é a solução que "melhor defende o interesse nacional".

"Esta venda tem um custo muito elevado para os contribuintes, mas é, no atual contexto, a melhor solução que defende o interesse nacional", afirmou António Costa numa declaração ao país, no Palácio de São Bento, em Lisboa.

A declaração de António Costa aconteceu minutos depois do anúncio, em comunicado, da venda do Banif ao Santander, pelo Banco de Portugal.

A opção, disse António Costa, "foi tomada tendo em conta a proteção dos depositantes, a defesa dos postos de trabalho, a salvaguarda da economia, em particular das regiões autónomas, e a defesa da estabilidade do sistema financeiro".

Solução protege os depósitos
E, acrescentou, "protege integralmente" todos os depósitos, "incluindo as poupanças dos emigrantes portugueses confiadas ao Banif fora do território nacional".

O primeiro-ministro explicou depois que quando o Governo tomou posse foi "confrontado com uma situação de urgência", que era "conhecida pelas autoridades portuguesas há mais de um ano".

O Estado - disse Costa - sabia que estava obrigado a apresentar e a fazer aprovar pela Comissão Europeia um plano de reestruturação do banco, depois de em janeiro de 2013 ter decidido recapitalizar a instituição, e há mais de um ano que as autoridades portuguesas sabiam que tinham até março deste ano para apresentar um "plano credível de reestruturação".

Europa impôs data limite para a solução
Como tal não aconteceu, acrescentou, Portugal foi instado pelas instituições comunitárias a apresentar uma solução até domingo, "sob pena de o Banif deixar de ter condições para operar no mercado".

Essa situação, bem como o facto de em janeiro entrarem em vigor novas condições para a resolução bancária, exigiu "a maior urgência" na resolução do problema, o que "não deixou de se refletir no elevado custo" da operação, acrescentou o primeiro-ministro.

Numa intervenção sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, António Costa disse que a solução tem, no entanto, a vantagem de ser "definitiva", "não ficando o Estado português sujeito a perdas futuras ou dependente de um incerto processo de venda do banco".

"O que podemos esperar, e nesse sentido estamos a trabalhar, é a maior recuperação possível dos custos hoje assumidos", afiançou.

Solução dolorosa
No final, António Costa considerou ainda necessário refletir sobre o quadro de supervisão, "condição necessária para garantir a efetiva estabilidade do sistema financeiro".

Salientando que sabe que a solução encontrada é "dolorosa" e "custosa para os contribuintes", Costa acrescentou que nesta segunda-feira os balcões do banco abrirão com normalidade, "sob a responsabilidade de uma instituição bancária credível".

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