Senador norte-americano apoia protestos e manifestações nos EUA.
O senador norte-americano e ex-candidato à nomeação democrata Bernie Sanders manifestou esta terça-feira apoio aos protestos contra a eleição de Donald Trump e apelou para uma mobilização geral para uma "oposição vigorosa ao sectarismo" do presidente eleito.
"A nossa função é opormo-nos vigorosamente através de milhões e milhões de pessoas e de muitas maneiras diferentes", disse o senador do Vermont numa entrevista ao programa "Today" da BBC Radio 4.
"Preocupa-me muito que um presidente Trump nos faça andar para trás e nós, progressistas, não vamos permitir que isso aconteça. Chegámos muito longe para agora voltarmos ao racismo e ao sexismo", frisou.
Desde a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos, há uma semana, houve protestos em várias cidades. Portland, no Oregon, tem sido o centro das manifestações mas, no sábado, mais de 10.000 pessoas protestaram junto à Torre Trump, em Nova Iorque.
Apesar de as manifestações serem maioritariamente pacíficas, dezenas de pessoas foram detidas.
Na entrevista, Bernie Sanders pediu que mais pessoas saiam à rua em protesto se Donald Trump tentar aplicar a retórica que dominou a sua campanha.
"Temos de juntar milhões de pessoas para dizerem: 'Não vamos deportar milhões de latinos deste país, não vamos permitir que as mulheres sejam insultadas e atacadas ou que lhes sejam retirados os seus direitos", disse.
"Vamos opor-nos vigorosamente quanto ao seu sectarismo", disse.
Sanders, que protagonizou uma disputada corrida com Hillary Clinton pela nomeação do Partido Democrata, foi igualmente crítico do partido quanto ao que considerou uma tentativa de se aliar ao sistema financeiro.
"Ao longo dos anos, o Partido Democrata tornou-se um partido mais preocupado em angariar dinheiro de personalidades abastadas do que em trazer trabalhadores para o partido e enfrentar a classe milionária, Wall Street, os laboratórios farmacêuticos ou as companhias de seguros. Não tem sido forte na defesa das necessidades das famílias dos trabalhadores", criticou.
"Penso que as pessoas disseram: 'Bom, os democratas não o fizeram, vou tentar este Trump'".
Nesse sentido, e enquanto o Partido Democrata avalia o que correu mal na eleição, Sanders disse estar "à procura" de uma "nova liderança" e "todo um novo processo que dê as boas-vindas aos trabalhadores e aos jovens".
Para Bernie Sanders, Trump venceu porque se dirigiu a "muita angústia e ansiedade e infelicidade na América em termos do que se está a passar com as famílias trabalhadoras".
Questionado sobre se teria vencido Trump, Sanders considerou "impossível saber".
"Há estudos de opinião que sugerem isso, mas não sabemos a resposta. Adoraria ter tido a oportunidade. Mas, lembre-se, Hillary Clinton acabou por ter mais votos que Donald Trump. Eu poderia ter feito melhor? Talvez sim, talvez não", disse.
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