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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Borell diz que ofensiva israelita em Rafah provocará crise humanitária ainda maior

Alto representante da UE deixou claro que, neste momento, não há possibilidade de começar a discutir planos de paz.

07 de maio de 2024 às 14:00

O alto representante da União Europeia (UE) para Assuntos Externos e Segurança, Josep Borrell, alertou esta terça-feira que a ofensiva terrestre empreendida pelo Exército israelita em Rafah provocará uma crise humanitária "ainda maior" do que a que Gaza já sofre.

"Certamente a situação é muito preocupante. Não posso antecipar as perdas humanitárias que isto vai originar", alertou Borrell, perante a imprensa, à chegada a um Conselho de Ministros europeu do Desenvolvimento.

"Produzirá outra grande crise humanitária, ainda maior do que a que existe. Veremos como podemos mitigar as consequências desta situação", prosseguiu.

O chefe da diplomacia da UE lamentou que a ofensiva terrestre israelita contra Rafah (sul de Gaza) começou (apesar de todas as petições da comunidade internacional".

"Temo que esta vá causar de novo muitas baixas civis", insistiu e recordou que na Faixa de Gaza há mais de 600 mil crianças que serão "empurrados para zonas seguras", sublinhando que não há "zonas seguras" em Gaza.

Também destacou que a UE não está no terreno para reunir informação, algo que obtém pela imprensa e as Nações Unidas, que "têm a capacidade de avaliar a situação" no local.

Questionado sobre se os ministros europeus vão tomar alguma medida perante esta situação, o político espanhol afirmou que os titulares do Desenvolvimento falaram hoje sobre "como aumentar o apoio", e que no próximo dia 27, a situação política será considerada.

"Este não é o local para discutir sanções, mas sim cooperação e apoio. Veremos no próximo Conselho de Negócios Estrangeiros", comentou.

Sobre a carta remetida por Espanha e pela Irlanda, à Comissão Europeia, para pedir a restrição do Acordo de Associação entre a UE e Israel, Borell, disse que, segundo a informação de que dispõe, a presidente da instituição, Ursula von der Leyen, não respondeu à missiva.

Borrell deixou claro que, neste momento, infelizmente, não há possibilidade de começar a discutir planos de paz", e pediu para se continuar a trabalhar por um cessar fogo, pela libertação dos reféns nas mãos do grupo islamista Hamas e pelo início de um processo político.

Além disso, disse que não vê razão para não serem retomados os pagamentos à Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos, a UNRWA, após o relatório independente elaborado pela exministra francesa Catherine Colonna, na sequência das acusações israelitas de terrorismo contra a organização.

Após esse relatório, Borrell assegurou que a idea de cortar financiamento à UNRWA "não tem fundamento".

Recordou que todos os Estados-membros retomaram os pagamentos à UNRWA, "uma instituição fundamental para centenas de milhares de pessoas".

Também apontou que recebeu uma carta do chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, na qual solicita que a Comissão Europeia proceda aos financiamentos seguintes previstos para a agência, e espera que os Estados-membros apoiem este pedido.

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