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Correio da Manhã

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Brasileiros presos por terrorismo são constituídos arguidos

Suspeitos de planear ataques durante os Jogos Olímpicos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Setembro de 2016 às 12:40
Polícia brasileira
Polícia brasileira FOTO: Getty Images

Oito dos quinze suspeitos de terrorismo que foram presos no Brasil em julho por alegadas ligações ao Daesh foram acusados de estarem a planear atentados durante dos Jogos Olímpicos.

Os homens passaram, esta segunda-feira, à condição de arguidos pela mão do juíz Marcos Josegrei da Silva, de Curitiba, responsável pelo processo. Este é o primeiro processo por terrorismo no Brasil.

Os suspeitos vão continuar presos até ao julgamento.

Os oito homens, todos brasileiros, estão confinados na Penitenciária de Alta Segurança de Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul. Vão responder pelos crimes de associação criminosa, promoção de organização terrorista e recrutamento para organização terrorista.

Também vão responder pelo crime de preparação de ação terrorista, motivo que fez a Polícia Federal desencadear a "Operação Hashtag" a 11 de julho.

A defesa dos arguidos contesta todas as acusações e diz que os suspeitos são pessoas incapazes de cometer qualquer ato terrorista, nâo têm preparo nem vocação criminosa e acederam a páginas de organizações extremistas apenas por curiosidade.

A Polícia Federal e o Ministério Público, no entanto, garantem que os oito agora arguidos e os outros sete que foram presos na altura, são mais do que jovens curiosos e inofensivos e que realmente se preparavam para cometer um ato terrorista de grande impacto.

Nas mensagens informáticas intercetadas pela Divisão Anti-Terrorista da Polícia Federal, o grupo falava numa ação de "extermínio em massa" e em usar armas químicas para envenenar um reservatório de abastecimento de água do Rio de Janeiro, o que poderia provocar uma tragédia.

Para o grupo, os Jogos Olímpicos, em que participaram mais de 11 mil atletas e que levaram ao Rio mais de um milhão de turistas, eram o cenário ideal para mostrar a força do Daesh e dos seus representantes no Brasil.

Pessoas aparentemente inofensivas, com profissões simples e idades entre os 18 e os 40 anos, os suspeitos agora transformados em arguidos exaltavam nas redes sociais os atos de terror levados a cabo pelo Daesh e relatavam querer conquistar, com uma grande matança, a trágica notoriedade alcançada por terroristas noutros países.

Quase todos os detidos juraram lealdade ao Daesh através da Internet e vários deles estiveram mesmo em países como a Síria, o Egito e o Líbano em alegadas viagens de lazer ou estudo. Aí, tiveram contacto com extremistas e até foram fotografados com alguns deles, juntamente com a bandeira do Daesh.

Além dos oito presos agora transformados em arguidos, e dos seus que o magistrado mandou libertar na sexta-feira, a Divisão Anti-Terrorista desencadeou em julho ações contra outros dois suspeitos. Um é libanês e já lutou pelo grupo extremista Hezbollah. Vivia com documentos falsos em São paulo e está preso à espera da definição da sua situação. Outro é um professor francês de origem argelina, que vivia legalmente no Rio de Janeiro mas foi detido durante uma aula e, sumariamente, deportado duas horas depois para Paris. 

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